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Ciclismo

“Não queremos Jorge Mendes no ciclismo, que fique em Portugal com os seus futebolistas”

Marc Madiot, francês e diretor desportivo da Groupama - FDJ, critica a entrada do empresário português no mundo do ciclismo. A Gestifute agencia, agora, João Almeida, Rúben Guerreiro e os gémeos Oliveira, através da Polaris, e Madiot desconfia das intenções de Jorge Mendes

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Sergio Perez

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Marc Madiot tem um currículo simpático: venceu duas vezes a clássica Paris-Roubaix, competiu nos Jogos Olímpicos de 1980 e agora é diretor desportivo da Groupama - FDJ. E o que não tem são papas na língua: em entrevista à RMC Sport, Madiot criticou a entrada de Jorge Mendes no mundo do ciclismo. “Não quero que este desporto se transforme no futebol”, disse o francês.

Contexto: João Almeida, Rúben Guerreiro e os gémeos Oliveira assinaram pela Polaris, da Gestifute, que também faz a assessoria do surfista Frederico Morais e do tenista João Sousa. Madiot não gosta. “No futebol, os empresários têm um portfolio de jogadores que querem transferir frequentemente para ganharem dinheiro e isso origina uma especulação, uma bolha financeira. Agora, com a covid-19, estão à beira do abismo, e nós queremos que gente como Jorge Mendes entre no ciclismo? Não queremos nenhum Jorge Mendes no ciclismo, que fique em Portugal com os seus futebolistas”.

Para além disto, segundo Madiot, a entrada da Gestifute nesta modalidade traz, digamos, água no bico. “O Jorge Mendes não vai ganhar no ciclismo o que ganha no futebol. Pode ser que consiga fazer dinheiro com outras ideias, mas que essas ideias não sejam boas. Acredito que, a determinado momento, vai querer aproveitar-se do ciclismo e isso seria perigoso. Se Mendes é agente do João Almeida, então o Almeida nunca virá para a minha equipa”, assegurou.