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Jacky Durand, o rei das fugas: “Talvez ainda seja cedo para o João Almeida ganhar, mas há sempre surpresas no Giro, por isso, porque não?"

O antigo ciclista francês, que entrou no imaginário dos amantes do ciclismo nos anos 90 pelo seu inconformismo e pelas longas escapadas, não poucas vezes em solitário, diz à Tribuna Expresso que acredita que o português João Almeida corre por fora entre o grupo de favoritos à vitória final na Volta a Itália, que arranca este sábado em Turim (transmissão Eurosport). Mas que não devemos colocar de parte surpresas

Lídia Paralta Gomes

Tim de Waele/Getty

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Era um clássico das tardes primavera/verão dos anos 90: ligava-se a televisão numa das etapas em linha da Volta a França e lá estava Jacky Durand, omnipresente lenço na cabeça, numa fuga de dezenas e dezenas de quilómetros, tantas vezes sozinho, sob o sol tórrido, num esforço que muitos diziam suicida - e muitas vezes o era.

O epíteto de Rei das Fugas começou com a vitória na Volta à Flandres em 1992 após uma escapada épica de 217 quilómetros e foi ganhando substância com as suas recorrentes aventuras no Tour, sempre inconformista, a recusar ser só mais um no indistinguível pelotão, o que lhe valeu muitas desilusões com a meta à vista mas também três vitórias em etapas e dois prémios da Combatividade, em 1998 e 1999. Neste último ano foi também o lanterna vermelha da prova. Ainda andou dois dias de amarelo em 1995 depois de ter sido o vencedor-surpresa do Prólogo, etapa que terminou antes de uma bátega de água se abater sob a caravana do Tour.

Hoje, Jacky Durand é comentador televisivo. Em vésperas do início do Giro, diz-nos que o colombiano Egan Bernal (INEOS) é o grande favorito, que talvez ainda seja cedo para João Almeida, mas lembra que a Volta a Itália sempre foi feita de surpresas.

Sempre foi conhecido pelo rei das fugas e nunca teve receio de atacar. Qual é a maior dificuldade para um ciclista durante uma longa escapada em solitário: a parte física ou manter a concentração psicológica?
A parte mais difícil não é fazer uma grande fuga. A parte mais difícil é não ter medo do dia seguinte. Numa corrida de um dia, por exemplo, é fácil entrar numa longa fuga porque no dia seguinte sabes que não vais correr e podes recuperar. Numa corrida por etapas não. Essa é a grande dificuldade. Há muitos ciclistas que contam as pedaladas que dão, constantemente com receio do dia seguinte e é por isso que há muitos deles que não se atrevem a tentar fugas. Ou então tentam, mas a 4-5 dias do final, quando sabem que o final está ali perto.

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