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Ciclismo

João Almeida renascido: português entra no top-10 da Volta a Itália e volta a ser o homem para a geral da Deceuninck

Andou escapado boa parte da 16.ª etapa, onde acabou em 6.º, a 1,21 minutos do vencedor, o colombiano Egan Bernal. Com isso subiu até 10.º, à entrada de uma última semana do Giro onde não terá de trabalhar para o até agora líder da Deceuninck, Remco Evenepoel, que esta segunda-feira perdeu quase 25 minutos

Lídia Paralta Gomes

Stuart Franklin/Getty

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Era suposto ser a etapa rainha do Giro, com três passagens acima dos 2 mil metros, mas o mau tempo trocou as voltas à organização e aos corredores. A solução foi encontrada antes da partida: os mais de 200 quilómetros originais passariam para pouco mais de 150, com apenas uma passagem acima dos 2 mil metros. Mas a dureza da tirada 16 continuou a ser muita, principalmente devido à chuva intensa que caiu ao longo de quase todo o dia.

Com mais ou menos montanha para descer ou subir, a etapa 16 era também uma oportunidade para João Almeida. Com a condição física de Remco Evenepoel a suscitar dúvidas, o português da Deceuninck teria finalmente luz verde para atacar e foi o que fez logo na parte inicial da etapa, ao entrar numa fuga com outros 23 ciclistas. O grupo chegou junto na primeira montanha do dia, em La Crosetta, mas logo de seguida seis ciclistas ficaram isolados. Um deles, João Almeida.

A trabalhar bem em conjunto, o grupo onde seguia além do português Vincenzo Nibali, Davide Formolo, Antonio Pedrero, Gorka Izaguirre e Amanuel Gebreigzabhier chegou a ter uma vantagem de mais de cinco minutos, mas com a chegada da Education First à frente do pelotão, as diferenças foram esbatendo-se ainda antes da entrada para a última dificuldade da jornada, o Passo Giau.

Na subida, João Almeida descolou mas, como é habitual, colocou o seu ritmo, o que viria a ser decisivo na parte final da etapa. Até porque lá atrás, o camisola rosa Egan Bernal preparava-se para mais um show. O colombiano da INEOS atacou no Passo Giau e cedo deixou os principais rivais para trás, enquanto ia ultrapassando, um a um, os homens que integraram a fuga do dia. O vencedor do Tour de 2019 passou sozinho na contagem de montanha e depois desceu até à meta em Cortina d’Ampezzo sem qualquer tipo de oposição, com tempo até para no último quilómetro tirar o impermeável, essencial durante todo o dia, e mostrar a toda a gente a camisola rosa que, ao que tudo indica, deverá manter até ao próximo domingo, em Milão.

Já João Almeida conseguiu acompanhar Hugh Carthy (EF) e Giulio Ciccone (Trek), chegando em 6.º lugar, a 1,21 minutos de Bernal. Um resultado que lhe permitiu ultrapassar na geral Attila Valter, Dan Martin e o seu até agora chefe de fila, Evenepoel, que chegou a quase 25 minutos da frente.

E com Evenepoel fora da luta pela geral, João Almeida poderá agora fazer a sua corrida sem preocupações em trabalhar para o antigo líder. Depois de perder tempo na 4.ª etapa, o corredor das Caldas da Rainha viu-se no papel de gregário de luxo, mas os últimos dias já faziam crer que estaria melhor que o prodígio belga.

Já a 10 minutos de Bernal e a mais de seis de Carthy, 3.º classificado, o pódio parece uma miragem para o português, mas subir ainda mais dentro do top-10 é possível, numa última semana do Giro com muita montanha e com um contrarrelógio no último dia, onde Almeida terá vantagem sobre grande parte dos rivais.