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Tadej Pogacar, o bicampeão amarelo

O ciclista esloveno já era o mais jovem de sempre a ganhar o Tour desde o ano passado e, este domingo, revalidou o título. Ainda nem 23 anos tem

Diogo Pombo

Chris Graythen/Getty

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Não seria pelos cinco minutos e vinte segundos à melhor do mais próximo dos atrasados que a chegada a Paris de Tadej Pogacar deixaria de ser importunada. O Tour é tradição e o que é tradicional honra-se, quem uma vez por ano entrada em pelotão pelos Campos Elísios dentro sabe que esta vida com pedais apenas pode visar o amarelo até à penúltima etapa.

O esloveno só tem 22 anos, é imberbe na vida e ainda jovem no ciclismo, mas sabichão já é nesta tradição, se faz profissão em cima do selim de uma bicicleta sabê-lo-ia a qualquer dia e neste especialmente, o da cerimoniosa entrada na capital francesa a amarelada liderança é intocável por decreto não escrito. Pogacar já a levou vestida uma vez.

Foi o ano passado, feito que repetiu este domingo com os tais cinco minutos e vinte segundos de sorrisos, abraços para a fotografia, boa-disposição e monumentos no enquadramento que serviram para confirmar a segunda conquista seguida do esloveno que pedala pela UAE Emirates.

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/Getty

Irrelevante é o lugar em que Tadej Pogacar acabou ao fim das voltas dadas a Paris, importa a 1.º posição com que ficou no final das 21 etapas desta Volta a França, em que venceu duas dessas tiradas, demonstrando as forças no alto das montanhas.

O esloveno já era a maior juventude com os pés presos a pedais a conquistar um Tour - em 2020, fê-lo a um dia de completar as 22 voltas ao calendário, virando o mais jovem a levar a camisola amarela para casa em 112 anos - e agora revalidou a propriedade da cor que identifica os mais rápidos, os mais heróicos, os mais épicos a trepar as elevações que há em França.

O ano passado, apenas reclamou a camisola amarela no contrarrelógico da penúltima etapa. Este ano, teve-a vestida desde a oitava etapa. Em 2020, ultrapassou o também esloveno Primož Roglič nesses derradeiros esforços; agora, segurou o número 11 do compatriota no arranque dos 108,4 quilómetros deste domingo - homenageou o rival conterrâneo, desistente devido às mazelas que as quedas lhe causaram.

Tadej Pogacar é o campeão do Tour também por isto.