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Ciclismo

João Almeida queria agarrar-se à camisola amarela, não conseguiu, mas a vitória final na Volta ao Luxemburgo continua ao alcance

O ciclista da Deceuninck-Quick Step foi 2.º na 2.ª etapa da competição, perdendo a camisola amarela para Marc Hirschi, o suíço que venceu a tirada e que tem quatro segundos de vantagem para o português. Mas a curta diferença, a boa forma física evidenciada e a teórica superioridade no contrarrelógio abrem boas perspetivas para João Almeida na luta pelo triunfo na geral

Pedro Barata

Bas Czerwinski/Getty

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Ainda nem passou um ano desde que João Almeida saltou para a ribalta do desporto português, com um Giro de Itália 2020 pintado de cor-de-rosa que (re)colocou Portugal agarrado à televisão, acompanhando as etapas do jovem ciclista. E importa salientar isto para vincar que, em tão pouco tempo, Almeida passou de jovem promessa a dar os primeiros passos no pelotão para corredor de quem se espera que esteja na discussão de competições de relevo internacional.

Foi o que João fez no Giro deste ano, com o 6.º lugar final, ou na Volta à Polónia, vencendo a corrida. E é o que está a fazer na Volta ao Luxemburgo. Após vencer a primeira etapa e vestir de amarelo, o homem da Deceuninck-Quick Step foi 2.º na segunda tirada, perdendo a liderança para Marc Hirschi por escassos quatro segundos.

Almeida começou o dia a avisar que o "objetivo" era "manter a camisola", mas que a etapa era "das mais difíceis" da volta. E o dia foi, efectivamente, muito duro. Com muita chuva e condições adversas, um circuito final fez o pelotão passar três vezes pelo Côte de Eschdorf, uma subida com rampas de 12% de inclinação e 800 metros de duração.

Bas Czerwinski/Getty

Com a sua equipa a rodar na frente durante boa parte da corrida, o português aproveitou a penúltima passagem pela meta para sprintar e recolher três segundos de bonificação, ao passo que Quintana e Hirschi, dois dos seus principais rivais pela geral, ganharam, respetivamente, dois e um segundos. Mais uma demonstração de sagacidade competitiva de Almeida.

Na última passagem pela subida que antecedia a meta, Hirschi e Quintana ganharam algum terreno ao camisola amarela, que teve, quase sempre, de fazer as despesas da perseguição. A dois quilómetros do fim, Hirschi, de 23 anos já com um palmarés de fazer inveja (vencedor de uma etapa no Tour e da Flèche Wallone no ano passado, por exemplo), arrancou para o triunfo e deixou toda a gente para trás.

João Almeida conseguiu apanhar Quintana e, já com a ajuda de alguns adversários, foi conseguindo minimizar perdas para Hirschi, demonstrando estar bem fisicamente. O suíço acabou a ganhar oito segundos ao português, que num último arranque adiantou-se aos seus companheiros de grupo para ficar em 2.º na etapa e arrecadando mais seis segundos de bonificação (Hirschi levou 10 segundos de bónus).

No final de contas, Almeida parte para a terceira das cinco etapas da Volta ao Luxemburgo a quatro segundos de Hirschi. Na sexta-feira, 17, tem lugar o contra-relógio da penúltima tirada, com um percurso de 25 quilómetros que João já admitiu que o "poderia beneficiar". Para já, é certo que o português vai tornando a sua presença na discussão da vitória de importantes corridas numa doce rotina.