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Roland Garros adiado para setembro e estão trocadas as voltas ao calendário de ténis

Perante a pandemia de Covid-19, a organização do Grand Slam francês resolveu não cancelar o torneio, mas adiá-lo para setembro, depois das datas do US Open que, por tradição, é o último dos quatro grandes torneios a ser jogado na temporada. Se as coisas ficarem assim, haverá seis dias entre uma final em terra batida e o arranque do major de piso rápido

Diogo Pombo

CHRISTOPHE SIMON

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Ninguém tem a capacidade de prever o futuro, é coisa inaudita. Sabe-se lá como estaria a contagem de casos, mortes e países infetados pelo novo coronavírus a 18 de maio, quando a primeira bola bateria nas cordas da primeira raquete em Roland Garros. "[Mas] as medidas de confinamento tornaram impossível que continuemos as preparações", lê-se no comunicado divulgado esta terça-feira.

Foi assim, com este 'mas', depois de lembrar que vivalma tem o dom da vidência, que a organização do torneio de Roland Garros revelou ser "incapaz de realizar o torneio nas datas originalmente previstas". Em vez de se jogar em maio, o Grand Slam da terra batida foi agendado para a quinzena de 20 de setembro a 4 de outubro.

Os responsáveis defendem que esta era "a única opção" que permitirá manter a prova no calendário de 2020, "enquanto se juntam à luta contra a Covid-19". À hora a que escrevemos a notícia, França registava 6.573 pessoas infetadas e 148 mortes, segundo a Organização Mundial de Saúde. Era o terceiro país europeu com mais casos.

Mas, adiando o torneio para as datas escolhidas, a organização estará, na prática, a atirar a batata quente para as mãos de quem manda no US Open. Como é hábito, o Grand Slam americano é o último a ser jogado em cada temporada e estava agendado para as semanas entre 24 de agosto e 13 de setembro.

Na segunda-feira, o US Open revelara que, para já, "não iria implementar quaisquer mudanças" aos planos. Agora, face à decisão do torneio francês, o piso rápido de Flushing Meadows, em Nova Iorque, não será o derradeiro Grand Slam a ser jogado em 2020.

Chaz Niell/Icon Sportswire

Ficando assim as coisas, haverá seis dias entre uma final jogada em court duro e o primeiro dia de competição no pó de tijolo, o que implicará uma transição, quiçá, pouco gentil aos joelhos dos tenistas e aos hábitos de corpos. É provável que nenhum torneio de terra batida, ou muito poucos dos que estavam previstos, se joguem até lá.

Na arrumação original do calendário ATP, jogar-se-iam sete torneios de terra batida em abril (incluindo o Estoril Open), quatro em maio (descontando Roland Garros) e cinco em julho. Sem bolas de cristal ou videntes de serviço, impossível é prever quantas destas provas, de facto, se poderão realizar.

Certo é que, escolhendo ser operado a um joelho há semanas, Roger Federer contava falhar toda a fase da época jogada com pó alaranjado à mistura, mas, afinal, talvez tenha mesmo que disputar Roland Garros. É torneio de Aquiles que apenas conquistou uma vez, que tem tudo a ver com o facto de ser o território onde Rafael Nadal mais é omnipotente (12 títulos).