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Covid-19. Löw: “É um burn-out coletivo. O nosso foco era dinheiro, ganância, poder e lucro. Agora a natureza a resiste à atividade do Homem”

Joachim Löw, selecionador da Alemanha, defendeu o adiamento do Campeonato da Europa de futebol e confessou o seu lado espiritual

Pedro Candeias

Michael Regan - FIFA

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Em forma, poucas rugas e com um corte de cabelo assustadoramente parecido ao de Paul McCartney nos seus heydays, ninguém diria que Joachim Löw já tem 60 anos, lidera a seleção da Alemanha há 14 e venceu o Mundial há seis, no Brasil. Foi então nessa qualidade de treinador eternizado num caro de uma das mais poderosas equipas do planeta, que Löw se referiu ao adiamento do Euro2020, que saudou, e à pandemia gerada pelo novo coronavírus.

Numa videoconferência patrocinada pela sua federação, o treinador alemão da Alemanha revelou-se particularmente espiritual. Disse ele: "O Mundo conheceu um burn-out coletivo e era impossível andar mais depressa, acelerar ainda mais o ritmo que já tínhamos. O nosso foco era o dinheiro, a ganância, o poder e os lucros".

Löw, depois, tal como Prandelli há dias, considera que isto é o universo a reequilibra-se. "Tenho a impressão de que a natureza resiste à atividade do homem. Os incêndios na Austrália, ou o Ébola em Àfrica afetaram-nos marginalmente. Mas, agora, está aqui algo que nos diz respeito a todos, enquanto humanidade, e então percebemos o que realmente importa: os amigos, a família, o respeito".

Terminou assim, com uma recomendação que se tornou o nosso mantra: "Cuidem-se e fiquem em casa".