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Covid-19. No início, Humberto estava “otimista”, talvez “de mais”. Agora, deixou de estar e confessa o “maior medo”

O andebolista internacional do ABC/UMinho Humberto Gomes admitiu hoje à agência Lusa ter sido "otimista de mais" sobre a pandemia Covid-19 e revelou estar agora em quarentena voluntária em casa com a família

Lusa

JONATHAN NACKSTRAND

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O andebolista internacional do ABC/UMinho Humberto Gomes admitiu hoje à agência Lusa ter sido "otimista de mais" sobre a pandemia Covid-19 e revelou estar agora em quarentena voluntária em casa com a família.

"De início fui um bocado otimista, se calhar de mais, pensava que isto seria passageiro, mas com o evoluir do tempo a preocupação aumentou bastante. Tenho tido imensos cuidados no que diz respeito a estar com as pessoas e optei voluntariamente por ficar com a minha família em casa em quarentena, evitando o contacto com os familiares mais próximos, sobretudo com os avós", explicou o atleta à agência Lusa.

O veterano guarda-redes, de 42 anos, detalhou que está em casa desde quarta-feira, dia do último treino dos academistas, juntamente com a mulher e as duas filhas de quatro e dois anos.

"Ficaremos em casa até isto acalmar, pela nossa saúde e dos nossos familiares. O meu maior medo são os meus pais, que já têm alguma idade, é a faixa etária mais vulnerável. Saio apenas e só para o estritamente necessário, para comprar alguma coisa", frisou.

Por iniciativa e critério próprios, faz algum exercício em casa, até por causa da idade - "recuperar não é a mesma coisa do que para um miúdo de 18 anos" -, mas "é completamente diferente do trabalho que se faz no pavilhão".

"A minha casa tem algum espaço e tenho feito alguns exercícios para não parar totalmente, porque não sabemos quando é que isto vai retomar. Tenho uma passadeira e faço também aqueles exercícios que se podem fazer dentro de casa, flexões, abdominais, por aí, mas mesmo assim é completamente diferente do trabalho que se faz no pavilhão", disse.

Um dos ‘capitães' do clube minhoto, Humberto Gomes lamentou "a incógnita total" em que o desporto mergulhou por causa do novo coronavírus.

"Provavelmente, os campeonatos não vão terminar, infelizmente o apuramento para os Jogos Olímpicos ficou suspenso, não se sabe se vai haver. É o caos em termos desportivos e não se sabe como vai acabar isto", referiu.

Questionado sobre se, dada a idade e o interregno forçado por tempo indeterminado, pensa em antecipar o final da carreira, o guardião disse ser "cedo" para responder.

"Agora penso época a época, em princípio jogarei mais um ano até que o corpo me deixe e, felizmente, não tive grandes lesões na minha carreira. Graças à minha paixão pela modalidade, aliada a um bom desempenho físico, tenho-me aguentado e cá estarei", afiançou o atleta bracarense.

Um dos clubes históricos do andebol português, com 13 títulos nacionais, 12 taças de Portugal, sete supertaças e uma Taça Challenge, o ABC/UMinho apurou-se para o grupo A após a fase regular do campeonato.