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Covid-19. É ilegal reduzir os ordenados dos futebolistas, alerta Sindicato

O Sindicato dos Jogadores está preocupado com os direitos dos futebolistas durante a pandemia, garantindo que "se mantém o direito à retribuição dos jogadores", apesar da paragem no calendário

lusa

Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores

Mário Cruz

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O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) advertiu hoje para a ilegalidade de “privar ou reduzir a retribuição” dos futebolistas durante a suspensão das competições provocada pela pandemia de Covid-19.

Em comunicado, o sindicato liderado por Joaquim Evangelista “deixa claro que, neste momento de suspensão das competições, se mantém o direito à retribuição dos jogadores, estando estes ao dispor das entidades patronais, disponíveis para cumprir as direções que forem prestadas, o que já acontece com a realização de planos de trabalho físico em casa”.

Face a esta situação, o SJPF adverte que “são ilegítimas medidas unilaterais que visem limitar direitos dos jogadores, nomeadamente privar ou reduzir a retribuição”, recordando que, apesar de afetado, o futebol é um setor com “vias de financiamento em aberto”, nomeadamente “a antecipação de receitas provenientes de direitos televisivos”.

“Dada a incerteza do momento, o SJPF mantém especial preocupação com jogadores e clubes em situação de maior vulnerabilidade económica”, lê-se ainda no mesmo comunicado, rejeitando “soluções unilaterais, limitadoras de direitos fundamentais, apelando à serenidade e ao bom senso”.

Redução de salários no Borussia Mönchengladbach

O comunicado do SJPF surge no mesmo dia em que o Borussia Mönchengladbach, clube alemão, anunciou que os jogadores do clube, equipa técnica e dirigentes vão sofrer um corte no salário enquanto durar a pandemia de Covid-19, por proposta dos próprios futebolistas, sensíveis ao momento que se está a atravessar.

O SJPF diz ainda condenar “todos aqueles que de modo pessoal exploram publicamente o medo e a insegurança dos agentes desportivos e não se inibem de propor soluções sem rigor técnico”.

Para evitar “posições de conflito, desorientação e alarme”, a estrutura sindical propõe a criação de “um espaço de reflexão conjunta e consensualização de posições”, a fim de “se criar um clima de confiança e responsabilidade coletiva”.

Além da preocupação com os futebolistas das competições nacionais, o sindicato elogiou o adiamento para 2021 o campeonato da Europa e da Copa América, considerando-o “uma decisão acertada, corajosa e responsável”.

Ainda ao nível internacional, no âmbito da Federação Internacional das Associações de Futebolistas (FIFPro), o SJPF defende o debate nos grupos de trabalho dedicados aos calendários e aos impactos económicos, para proteger “a estabilidade das relações laborais e os direitos dos jogadores e jogadoras, enquanto trabalhadores”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 220 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.900 morreram. Das pessoas infetadas, mais de 85.500 recuperaram da doença.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se já por 176 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, com a Itália, com 2.978 mortes em 35.713 casos, a Espanha, com 767 mortes (17.147 casos) e a França com 264 mortes (9.134 casos).

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje o número de casos confirmados de infeção para 785, mais 143 do que na quarta-feira. O número de mortos no país subiu para três.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de hoje.