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Covid-19. “Falamos de futebol quando há ultras a levar oxigénio e a chorar mortos? Isto é a peste, a vida está em primeiro lugar, foda-se”

Numa entrevista duríssima ao "Corriere Dello Sport", de Itália, Massimo Cellino, presidente do Brescia revela estar em quarentena e que recebe todos os dias notícias "de loucos" da cidade.

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Matthew Lewis

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A quarentena

"Estou em casa com febre há três dias e em quarentena há onze dias. Encontro-me fechado em casa, estou sozinho, e a minha mulher, a Francesca, está presa em Cagliari. Mais, tenho um filho em Milão, os outros lá fora de Itália e eu já vi e ouvi coisas que você nem imagina. Recebo todos os dias notícias de Brescia e todas são de loucos".

Os números

"Uma coisa são os números oficiais, que nos dão, mas outra é o verdadeiro tamanho deste problema. Há muito, muito mais a acontecer. Não se pensa em quando começar de novo, mas sim em sobreviver.Se isto tivesse acontecido noutro lugar, teria rebentado uma revolução."

O título

"Quer falar sobre o campeonato, a Serie A, o título? Quero lá saber do campeonato. Isto é a peste, a peste, a vida está em primeiro lugar. Se o Lotito [presidente da Lazio] quiser ficar com o título, que fique. A vida está em primeiro lugar, sempre, a vida, foda-se. Há adeptos que levam oxigénio aos hospitais e há outros ainda que choram mortos, gente entubada, A temporada acabou. Só penso nos que vão morrer, quem vai perder o campeoanto".