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Covid-19. Como treinar na pandemia: “É altura de fazer o que fica mais esquecido. Os exercícios que nunca executamos por falta de tempo”

A uma semana de completar 29 anos, o lançador do peso Francisco Belo está focado em terminar a tese de mestrado do curso de medicina e à procura de obter a qualificação para os JO. Sem poder treinar no Centro de Alto Rendimento do Jamor, Belo explica como está a viver esta (quase) imposta quarentena e que consequências tem na sua preparação olímpica

Alexandra Simões de Abreu

Marcos Borga

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Desde quando está sem treinar no clube ou no CAR do Jamor por causa do coronavírus?
O Benfica foi pioneiro e para isolar os seus atletas proibiu o uso de instalações públicas desde dia 13, inclusive, antes de as mesmas fecharem. Desde esse dia não treino no CAR Jamor.

Como tem feito para manter a forma física em casa?
É altura de fazer o que normalmente fica mais esquecido. Os exercícios que nunca executamos por falta de tempo e aqueles que podem reforçar os nossos pontos mais fracos. Alongamentos, exercícios de ginásio com cargas mais baixas como forma de preparação, reforço articular... Pontos específicos que sempre foram mais negativos e agora temos oportunidade de os fortalecer. Adquiri material de ginásio para poder ter algum conforto e poder treinar com algumas condições.

De que forma é que esta situação prejudica a preparação para as provas que se avizinhavam e para os Jogos Olímpicos?
Ainda no início desta situação foram canceladas duas provas, uma prova de preparação em Leiria e a taça de Europa de lançamentos, também em Leiria, que seria este fim de semana. Desde logo teve um impacto negativo numa prova que estava a ser preparada com rigor. Em termos futuros vamos esperar que o impacto não seja tão negativo e quando voltarmos tenhamos força para dar a volta a esta situação. Provavelmente apenas teremos provas em junho, mês anterior aos Jogos Olímpicos, se não forem canceladas. Obviamente torna toda a preparação mais difícil de gerir.

Os Jogos Olímpicos devem realizar-se na data prevista ou já deviam ter sido adiados?
Não quero comentar sobre algo que não posso alterar. Tenho de focar-me no que posso controlar. E baixar os braços não é solução. Deixo essa possível decisão para quem pensa no melhor para todos os atletas de todas as dezenas de modalidades que fazem parte de uns JO. Temos muito para conseguir lutar e sair disto ainda melhor do que antes.

De que forma é que esta situação afeta um atleta psicologicamente?
Pode afetar negativamente caso o atleta não encontre estratégias para começar a lutar. Estratégias a médio prazo. É importante fazer um plano e acreditar no trabalho que está e irá ser feito. Sabendo que muitas pessoas estão a trabalhar para nos ajudar a voltar o quanto antes a poder treinar a 100%. É importante manter um contacto muito próximo com o treinador e com as pessoas de quem gostamos.

Qual o limite de tempo que considera razoável para viver e treinar desta forma, sem que afete irreversivelmente a condição física e preparação para provas?
Não tenho dados para responder, até porque é a primeira vez que algo assim acontece. Infelizmente, não sabemos. O que sabemos é que quanto maior for este período mais tempo será necessário para voltar à rotina dos 100%.

Francisco com a sua cadela Maggie

Francisco com a sua cadela Maggie

D.R.

Está em casa sozinho ou com família? Como estão a reagir?
Estou sozinho com a minha cadela, a Maggie.

O que está a ser mais difícil de gerir neste momento?
Sempre fui uma pessoa muito caseira. Para dizer a verdade estar em casa e sair para passear a Maggie é o que mais gosto de fazer. O que está a ser difícil é estar afastado do local que pode ajudar-me a cumprir os meus objetivos desportivos. E também que para mantê-los não consiga lutar contra este inimigo noutra frente de combate.