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Covid-19. Rooney sai em defesa dos futebolistas: não são os maus da fita, são é "os alvos fáceis"

O melhor marcador da história da seleção inglesa chegou-se à frente, este domingo, para defender os futebolistas em Inglaterra, que têm sido pressionados a aceitarem cortes nos salários para ajudar os clubes e, assim, impedir que sobrecarreguem fundos públicos com pedidos de lay-off. "Eu estou numa posição que me permite largar qualquer coisa, o que não é o caso de todos os futebolistas. Porque é que são os jogadores os bodes expiatórios?", questiona Wayne Rooney

Lusa

George Wood/Getty

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O internacional inglês Wayne Rooney disse, este domingo, que os futebolistas profissionais em Inglaterra, criticados por alguns membros do governo e parte da opinião pública por tardarem em aceitar baixar os salários, “são alvos fáceis”.

“Se o governo me contactar para que ajude financeiramente enfermeiros ou que financie a compra de ventiladores, ficarei orgulhoso de o fazer, enquanto souber para onde vai o dinheiro”, sublinhou o jogador, num artigo de opinião publicado no "Sunday Times".

O avançado, de 34 anos, reagiu assim às críticas em relação ao facto de os jogadores ainda não terem concordado com a redução salarial, num momento de paralisação das competições devido à pandemia da covid-19.

“Eu estou numa posição que me permite largar qualquer coisa, o que não é o caso de todos os futebolistas. E, subitamente, todos são confrontados com um pedido de redução de salários de 30% em todos os campos. Porque é que são os futebolistas os ‘bodes expiatórios’?” questionou o jogador, atualmente no Derby County, do ‘Championship´ (segunda divisão).

Na terça-feira, o anúncio do Tottenham, de José Mourinho e Gedson Fernandes, da decisão de colocar em lay-off o staff do clube que não está ligado à competição acendeu o rastilho de críticas para com os jogadores.

Um dia depois, na quarta-feira, foi o Bournemouth a aplicar o mesmo procedimento a 50 dos seus funcionários, embora tenha informado que o diretor-técnico, o treinador da primeira equipa, Eddie Howe, e o adjunto, aceitaram baixar salários.

A polémica arrastou-se durante a semana, ao ponto de o ministro britânico da Saúde, Matt Hancock, ‘convidar’ os jogadores a fazerem parte do esforço nacional, uma proposta que manifestou a vontade do governo, segundo um porta-voz de Boris Johnson.

Na sexta-feira, a Liga comunicou que iria avançar com a consulta aos jogadores de uma redução de 30% e, já no sábado, o Sindicato rejeitou esta proposta, pelo facto de a mesma “reduzir a receita fiscal do governo britânico”.

“Todos os jogadores da ‘Premier League’ querem e vão realizar contribuições financeiras relevantes nestes tempos sem precedentes”, afirmou o PFA, em comunicado.

A estrutura sindical calcula que “a proposta [de] descida de 30% dos salários por 12 meses equivale a um total de 500 milhões de libras (cerca de 576 milhões de euros) em cortes salariais e uma perda de mais de 200 milhões de libras (222 ME) em contribuições fiscais para o governo”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 65 mil. Dos casos de infeção, mais de 233 mil são considerados curados.

O Reino Unido regista até hoje 4.313 mortes e um total de 41.903 casos de pessoas infetadas.