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Jogadores da Premier League não querem cortar salários: “Governo perde €227 milhões em impostos, sistema nacional de saúde sofre com isso”

Em comunicado, a associação dos jogadores profissionais (PFA) diz que os futebolistas querem ajudar, mas não assim

Michael Regan

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A Premier League tinha em marcha um corte salarial de 30% dos salários de todos os jogadores de todos os clubes do campeonato inglês, o mais rico de todo o planeta. Esta era, segundo a organização, uma forma de combater a crise e a perda de receitas face à pandemia do novo coronavírus.

Acontece que os futebolistas não estão de acordo.

Num comunicado enviado pela Associação de Futebolistas da Premier League, os atletas manifestaram-se contra esta medida, dizendo que o governo britânico iria perder muito em impostos e que o sistema nacional de saúde inglês iria sofrer. "O corte de 30% do salário dos jogadores da Premier League retiraria cerca de 227 milhões de euros de impostos ao governo. Que efeito traria isso para o sistema nacional de saúde? Isso foi tido em consideração?".

No comunicado também se lê que "todos os jogadores querem fazer a sua parte, com contributos financeiros nestes tempos sem precedentes, mas a redução dos salários representariam 500 milhões de libras".

Já no sábado, Danny Rose, do Newcastle, dissera à BBC que achava "bizarro" o tema ter sido debatido no parlamento. "Senti que nos estavam a encostar à parede. Não era preciso que pessoas de fora do futebol viessem tentar dizer aos futebolistas o que devem fazer com o seu dinheiro. Acho isso tão bizarro".

Até agora, em Inglaterra, os clubes (e já são cinco) têm colocado os seus trabalhadores em lay-off para combater a crise. A redução de 30% do salário seria, segundo a Premier League, uma forma de defender o emprego dos funcionários dos emblemas.