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Kroos é contra o corte de salários e contra quem acha que vai ser tudo mau: “Talvez se deixe de gastar tanto dinheiro no futebol”

Para o alemão do Real Madrid, é preferível doar a quem precisa do que doar dinheiro em vão aos clubes

Pedro Candeias

Michael Regan - FIFA

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Há uns tempos, Toni Kroos disse que tinha uma vantagem sobre todos os outros: “Nunca fico nervoso. Nunca”. O alemão do Real Madrid, de quem Guardiola um dia disse ser “o mais corajoso dos futebolistas” por essas mesmas qualidades, é então o tipo ideal para ter ao lado quando o contexto é apertado, a realidade acelera e a ansiedade tende naturalmente a disparar. Kroos é capaz de recuar quando outros se apressam e é também por isso que não tem problemas de ir contra a opinião vigente.

“Cortar nos salários dos futebolistas não é justo, é como fazer uma doação ao clube, mas em vão. Sou mais a favor de que os jogadores recebam o salário por inteiro e deem a mão a quem precisa. É justo ajudar quem precisa de ajuda”, confessou Kroos ao programa SWR Sport, da Alemanha.

O médio do Real Madrid posiciona-se, desde já, contra uma medida que alguns grandes clubes já tomaram em Espanha - nomeadamente, o Barcelona e o Atlético de Madrid - e antecipa o que lhe poderá acontecer nos merengues. E analisa: “Alguns clubes vão ressentir-se porque há receitas previstas que não vão entrar, mas tudo depende do período de suspensão. Se voltarmos a jogar em maio, vão encontrar-se soluções justas; se ficarmos parados durante muito mais tempo, as coisas vão mudar e o futebol não será mais como o conhecemos."

E isso não é obrigatoriamente mau, segundo Kroos. “Vamos enfrentar problemas importantes e outros menos importantes. Talvez os clubes não aguentem e iremos questionar-nos se algumas quantias de dinheiro ainda podem continuar a ser pagas. Talvez isso não seja assim tão mau, uma vez que os valores foram levados ao extremo no futebol”.