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Covid-19. O testemunho de um jogador infetado: “Não me lembro de lá ter chegado, apenas de ter vontade de arrancar a minha pele”

O sueco Kamal Mustafá, futebolista da 3.ª divisão sueca, deu uma entrevista ao jornal do seu país relantado o que lhe aconteceu e o que sentiu nos dias que passou nos cuidados intensivos

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Nils Petter Nilsson

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Como em outros relatos de infetados, Kamal Mustafá sentiu as mesmas coisas no corpo: dor de garganta, perda do palato, febre alta. Mustafá, de 28 anos e jogador do Oddevold, da modesta terceira divisão sueca, tinha Covid-19 e no dia 3 de abril, após alguns dias a debater-se contra estes condicionalismos, chamou uma ambulância e foi levado para o hospital, em Gotemburgo. "Onde vi coisas que metessem tanto medo", disse Kamal ao jornal Göteborgs-Posten, da Suécia.

Segue, então, o testemunho: "Foi então que começou o inferno. Não me lembro de lá ter chegado, apenas de ter vontade de arrancar a minha pele porque me sentia muito quente. Os enfermeiros acordavam-me de hora a hora". Kamal, que se assume nesta conversa como um tipo temerário, garante "nunca ter visto tantas seringas e agulhas" em toda a sua vida. "Estava muito doente. Olhava a para a esquerda e via gente ligada a ventiladores, olha para a direita e via o mesmo. Então, entrei em pânico. Geralmente, não sou medroso, mas... ao ver todas aquelas pessoas, médicos, enfermeiros, anestesistas...".

Após três dias nos cuidados intensivos, o estado de saúde de Kamal é estável, mas ainda se encontra hospitalizado, a receber oxigénio.