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Futebol só com lugares cativos distribuídos pelo estádio? Possível, mas muito complicado

António Costa referiu no sábado, em entrevista ao Expresso, que o regresso do futebol pode ser feito "totalmente à porta fechada" ou com adeptos distribuídos pelas bancadas. De FC Porto, Sporting e Benfica chegam, essencialmente, reações de cautela. Logisticamente, a operação seria complexa

Lídia Paralta Gomes

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A pergunta rezava assim: "O futebol também só pode voltar com distanciamento nos estádios?".

E António Costa respondeu assim, ao Expresso, em entrevista publicada na edição do último sábado: "Para o público, há várias várias soluções, pode ser totalmente à porta fechada ou só com os lugares cativos distribuídos pelo estádio. A proposta que a Liga apresentou era para em junho e julho poder completar a época desportiva. Ainda temos tempo para preparar isso".

Terá sido a primeira vez que a hipótese dos estádios receberem jogos parcialmente abertos ao público foi colocada em cima da mesa, e logo pelo primeiro-ministro. Contactados pela Tribuna Expresso, os três grandes estão, essencialmente, cautelosos e expectantes.

Fonte oficial do FC Porto garante que o clube "não foi contactado por qualquer autoridade" sobre a possibilidade de se fazer jogos com o público distribuído quando o futebol voltar. A mesma fonte diz que é o cenário é "exequível", mas que não é fácil prever o comportamento dos adeptos. Afinal, um jogo de futebol é um jogo de emoções, em que as pessoas se abraçam, conversam, onde o distanciamento social é difícil de controlar.

Oficialmente, Sporting e Benfica optam pela prudência. "Estamos ainda em fase de definição e como tal estamos a desenhar os vários cenários possíveis. Nesta fase é prematuro dizer algo mais", sublinha fonte oficial dos leões. Já o Benfica lembra que "todo o processo e modelo para o regresso das competições está a ser coordenado e tratado ao nível das estruturas que superintendem o futebol português, Liga e Federação Portuguesa de Futebol" e que é "nesse âmbito que os clubes assumem e articulam as suas posições mediante as orientações que chegam das entidades competentes", escusando-se a avançar mais, por considerar ainda, e tal como o Sporting, "prematuro qualquer tipo de comentário" face à hipótese lançada por António Costa.

A Tribuna Expresso sabe que a entrevista do primeiro-ministro fez o Sporting colocar também em cima da mesa o cenário de distribuir os lugares de época pelo estádio, mas que a hipótese é vista como logisticamente muito complexa, até porque envolve muito mais do que o jogo em si e teria de ser ainda avaliada a própria deslocação dos adeptos para o estádio.