Tribuna Expresso

Perfil

Coronavírus

Covid-19. O Sindicato pergunta: e os jogadores vão competir de máscara e luvas?

Joaquim Evangelista alerta que os jogadores estão preocupados com a saúde, por voltarem a competir e a viajar, por temerem o contágio pessoal e da família. Em relação a seguros, o Sindicato diz ser essencial uma cobertura adicional da covid-19 e pede envolvimento profundo da DGS e do Governo

Isabel Paulo

Futebolistas do Grémio, no Brasil, usando máscaras antes de um jogo

Lucas Uebel

Partilhar

O Sindicato dos Jogadores defende que os jogos de futebol só possam ser retomados se houver um parecer favorável da DGS e garantia de capacidade de realização de testes à covid-19, rastreio que Joaquim Evangelista considera fundamental para a segurança dos jogadores e agentes desportivos. O líder sindical adverte que, de momento, a recolha e grau de fiabilidade de testes “ainda existe um elevado número de falsos positivos e falsos negativos”, além de a “medição de temperatura” não permitir plena eficácia quanto à monitorização constante dos jogadores e staff dos clubes.

“O risco de infeção após algum jogador ser testado positivo torna difícil prever qual será a eficácia do protocolo para o seu isolamento, bem como a capacidade de testar e colocar em quarentena as pessoas com quem esteve em contato para minimizar o risco de contágio generalizado”, refere o Sindicato, em documento a enviar à Liga e FPF antes que seja decidido o regredso do futebol aos relvados.

Embora não seja contra a conclusão dos campeonatos esta época, Evangelista quer saber quais as modalidades de testes e com que frequência irão ser realizados. O facto de os jogadores estarem em condições físicas tendencialmente mais favoráveis relativamente à população em geral, “não significa que não deva existir preocupação com a propagação da doença e focos de contágio”, alerta o líder do Sindicato, que defende que a retoma da atividade deve ser feita de forma concertada entre todas as entidades empregadoras desportivas para “garantir a igualdade entre competidores” e em simultâneo.

Joaquim Evangelista propõe que seja firmado um protocolo de procedimentos que defina um programa de treinos de “readaptação do sistema imunitário dos jogadores face ao contexto de isolamento, prevenindo descompensações”, bem como a melhor forma de adaptar as recomendações da DGS relativamente à higienização dos atletas. A monitorização sistemática de sintomas é outra das garantias que o Sindicato quer assegurar junto dos clubes e SAD's, sublinhando que qualquer manifestação se sintomas, como perda de fôlego, cansaço muscular ou tosse, deve ditar imediato isolamento preventivo e período de quarentena para quem tenha convivido com o jogador em causa.

Antes do arranque competitivo, o dirigente considera que quem tutela o futebol deve confirmar se a equipa médica de cada clube ou SAD está preparada para responder ao protocolo a implementar face ao surto e se os requisitos de proteção da saúde dos atletas pode ser operacionalizado em todas as instalações desportivas de treinos e jogos.

Antes dos jogos, vai haver mini pré-época?

Para o Sindicato, será ainda recomendável a imposição de uma pré-época antes da reabertura competitiva, aconselhando pelo menos três semanas de treinos, ou seja, um período de recuperação da capacidade física, velocidade e resistência dos jogadores. A duração dos treinos também deve evoluir de forma gradual. Evangelista pretende que a DGS, em articulação com os departamentos médicos, defina as condições de distanciamento dos atletas em espaços fechados para realização de treinos fitness, em que condições terão assistência médica e de tratamentos de recuperação pós-treino, questionando a entidade de classe se haverá jogos amigáveis antes do retorno.

O Sindicato dos Jogadores sustenta que não deve ser a indústria do futebol e a FPF e Liga a ter o ónus de decidir se, no quadro da pandemia, é possível retomar os jogos e ser permitida a presença do público, mesmo que de forma controlada. Mesmo que a DGS opte por jogos à porta fechada, será necessário “um protocolo rígido”, tendo em conta que a organização de um jogo “envolve um grupo de 60 a 80 pessoas” nas instalações desportivas. Um guia sobre viagens é outra das reivindicações do Sindicato, bem como alojamento em hotéis das equipas que jogam fora de casa e procedimentos específicos para os operadores televisivos e jornalistas.

Os jogadores vão ter de usar máscara e luvas? Existem equipamentos de proteção suficientes para todos os envolvidos num espetáculo desportivo? As equipa terão formação para evitar falhas de procedimentos? E que participação terá a DGS neste processo? Estas são também interrogações para as quais o Sindicato quer respostas atempadas, face Joaquim Evangelista às preocupações já manifestadas pelos jogadores com a sua saúde, por temerem o contágio pessoal e da família.

Em relação a seguros, o Sindicato diz ser essencial uma cobertura adicional da covid-19, reivindicando Evangelista um envolvimento profundo do Governo na definição dos acessos aos recintos desportivos e monitorização segura das equipas em treinos e jogos.