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Von Miller tem 1,91m, 113 kg de músculo e é um dos melhores defesas da NFL. Diz que a experiência com a covid-19 foi “assustadora”

O jogador dos Denver Broncos é só mais um exemplo de como a covid-19 pode deitar abaixo até o mais em forma dos homens. Jogador mais valioso do Super Bowl da época de 2015, Miller sofreu com falta de ar, perdeu o apetite e ainda está a trabalhar na recuperação total dos pulmões

Lídia Paralta Gomes

Justin Edmonds/Getty

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A 50.ª edição do Super Bowl não ficou marcada, como habitualmente, por uma excecional exibição de um qualquer quarterback, por um passe mágico ou uma jogada inventada que decidiu o título. O jogador mais valioso nesse jogo entre os Denver Broncos e os Carolina Panthers foi um defesa, um linebacker especial, especialista em neutralizar quarterbacks. De seu nome Von Miller.

Von Miller, dos Broncos que ganharam esse Super Bowl muito graças ao seu trabalho defensivo, é um rapagão de 1,91m e 113 kg de músculo e um dos três casos diagnosticados de covid-19 na NFL. E nem o seu porte atlético lhe valeu na altura de lidar com os sintomas da doença.

O pior, diz, foi “não ser capaz de respirar”. Asmático, Miller diz que os sintomas de covid-19 foram “muito além de um ataque de asma”.

“Era como se os meus pulmões estivessem a contrair. A minha bomba da asma ajudava, mas continuava a não me sentir bem. Essa foi a parte mais assustadora, ir para a cama sabendo que os meus níveis de oxigénio poderiam baixar e que eu poderia ter de ir parar a um hospital”, revelou o jogador de 31 anos numa entrevista ao “Washington Post”.

Miller perdeu também o paladar e olfato. “Isso acaba por mexer com o teu apetite e deixas de comer aquilo que é suposto. Nos primeiros quatro, cinco dias, fiquei mesmo nervoso. Não vou estar aqui a dizer que pensei que ia morrer ou algo do género, mas isso passou um pouco pela minha cabeça”, disse ainda.

Depois de recuperar da doença, Miller começou a trabalhar para regressar à forma, mas os efeitos da covid-19 ainda se sentem: “Os meus pulmões ainda estão a tentar voltar ao normal”. O defesa revela ainda que alguns dos seus companheiros de equipa “nem sequer acreditam que a covid-19 é real”.

“Isso para mim é o mais incompreensível. Já lhes disse que têm de levar isto a sério, que devem levar o distanciamento social a sério”, frisa o jogador, que diz ter algum receio do regresso aos treinos. “Toda a gente deve usar máscara. Quero estar seguro. Quero continuar a jogar, mas da maneira mais segura possível. E não vou por atalhos quando este é o assunto”, remata.