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O brutal testemunho de Michael Phelps sobre a vida em quarentena: "Nunca me senti tão esmagado. As minhas emoções estão descontroladas"

O ex-nadador, recordista de medalhas em Jogos Olímpicos, já há muito tinha falado abertamente da sua luta contra a depressão. Em tempos de pandemia, o desafio aumentou: num texto na primeira pessoa para a ESPN, Phelps lembra que a doença mental não desaparece simplesmente e que tem passado grandes dificuldades na quarentena

Lídia Paralta Gomes

LIONEL BONAVENTURE/Getty

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Antes de atacar a última participação olímpica, no Rio 2016, em que fechou com chave de ouro a mais gloriosa das carreiras de um atleta olímpico, Michael Phelps assumiu a sua luta contra a doença mental, os períodos de depressão e os sentimentos suicidas que marcaram parte da sua carreira. E agora, num dos mais desafiantes momentos de todas as nossas vidas, Phelps deu um testemunho à ESPN, na primeira pessoa, em que fala das dificuldades que tem sentido em lidar com a incerteza da pandemia da covid-19, fechado em casa, lembrando a todos nós que a doença mental simplesmente não desaparece.

Phelps assegura, num texto brutal e sem qualquer eufemismo, que estes têm sido dos dias mais complicados da sua vida, que se sente "esmagado" e que luta a toda a hora para controlar as suas emoções.

"Querem saber a minha verdade? Como estou a lidar com a quarentena e uma pandemia global? Vamos colocar isto assim: ainda estou a respirar", diz o vencedor de 28 medalhas olímpicas. "O meu humor anda de um lado para o outro. A pandemia tem sido das coisas mais assustadoras que já passei. Fico grato por eu e a minha família estarmos bem e por não ter de me preocupar com pagar contas ou meter comida na mesa como tanta gente. Mas ainda assim, estou com dificuldades", confessa.

"A questão é - e as pessoas que vivem com um problema de saúde mental sabem como é - isto não desaparece simplesmente. Temos bons dias e maus dias (…) A pandemia tem sido um desafio que não estava à espera. Toda esta incerteza. Estar enfiado numa casa. E todas as questões, são tantas as questões. Quando é que isto acaba? Como ficará a nossa vida quando isto chegar ao fim? Estou a fazer de tudo para estar a salvo? A minha família está a salvo? Isto deixa-me maluco (…) As minhas emoções estão descontroladas, estou sempre no limite, sempre na defensiva", escreve ainda Phelps.

"Nunca me senti tão esmagado em toda a minha vida", frisa ainda o maior nadador de todos os tempos, que no texto lembra uma discussão recente com Nicole Phelps, a sua mulher. "Não foi bonito. Mas ao mesmo tempo consegui descarregar todas as emoções que tinha guardadas cá dentro. Às vezes isso é necessário. Foi difícil, mas hoje sinto-me melhor".

Phelps revela ainda que uma das forma que tem usado para lidar com os seus demónios interiores é através do exercício: todos dos dias, logo após acordar, faz 90 minutos de ginásio. "Se falho um dia, é um desastre. Entro numa espiral negativa dentro da minha cabeça", diz.