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Koke, ex-Sporting, e a vida na prisão em tempos de covid-19: "A situação aqui não é má, estamos bem, se calhar melhor que vocês aí fora"

Antigo avançado espanhol, de 37 anos, e que passou pelo Sporting em 2006, está preso há seis meses, suspeito de tráfico de droga, respondeu por carta ao portal "El Desmarque" sobre aquilo que considera "mais uma experiência"

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FRANCISCO LEONG/Getty

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Detido há seis meses no Centro Penitenciário de Alhaurín de la Torre, em Málaga, por suspeitas de tráfico de droga, Sergio Contreras, avançado que ficou conhecido no mundo do futebol como Koke e que passou pelo Sporting sem glória em 2006, falou com o portal "El Desmarque" sobre a sua nova vida. A comunicação foi feita à antiga, através de carta, escrita à mão.

"Estou privado da minha liberdade, mas tudo se aprende. Considero-me uma pessoa com sorte, com muitas experiências na vida e esta é mais uma delas", começou por dizer o ex-jogador, que revela que o "o mais difícil" é estar sem a família, as filhas e os seus pais. "Mas o mais duro é que a minha companheira e o meu irmão também estão presos. Tenho de estar sempre forte não tenho tempo para me ir abaixo, porque eles precisam de mim", lamentou ainda.

Sobre a rotina na prisão, Koke confessa que os dias "são muito grandes" mas que tudo é uma questão de adaptação. "Eu faço quase todos os dias o mesmo: de manhã vou ao ginásio, depois passo a manhã a jogar parchís [jogo de tabuleiro muito popular em Espanha]. Antes da covid-19 estava a frequentar um curso de cultura empreendedora, mas isso agora está parado. Também ando a informar-me sobre o código penal. É algo que não faria lá fora, mas aqui tenho tempo".

Espanha tem sido um dos países mais afetados pela covid-19, mas sublinha que na prisão a "situação não é assim tão má".

"Estamos todos bem, se calhar melhor do que vocês aí fora. Podemos correr, treinar. Espero que isto passe rápido. Não temos relação com o exterior, assim que há pouco risco de contágio. Só sentimos falta dos nossos entes queridos", explica.

Koke lembra ainda que na prisão "cada um tem a sua história" e que "nem o mau é tão mau ou o bom é assim tão bom". Diz também que não gosta de julgar ninguém. "Gosto de ouvir e ajudar, é o que mais faço aqui. Na prisão há muita gente boa e interessante. Aqui há de tudo, padeiros, canalizadores, gestores, ex-futebolistas", sublinha.

Quanto ao futebol, Koke revela que não tem jogado muito desde que entrou naquele estabelecimento prisional: "Aqui jogam todos os dias, mas eu só joguei uma vez. Não jogo porque não gosto das bolas de futsal. Todos me pedem para jogar, mas eu prefiro sentar-me e ficar a ver".