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Covid-19. Federações avaliam obrigatoriedade de realização de testes

"A realização de testes para diagnóstico de COVID-19 poderá ser considerada pelas federações e clubes, sendo que, para este efeito, a DGS enquadra critérios com o objetivo de os auxiliar na decisão de realizar ou não os referidos testes", pode ler-se na missiva assinada pela Secretaria de Estado do Desporto e Juventude

SIC Notícias e lusa

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As federações desportivas devem avaliar a obrigatoriedade de realização de testes à covid-19 em cada desporto, após a Direção-Geral da Saúde enquadrar "critérios" para ajudar à decisão, destaca a secretaria de Estado da Juventude e do Desporto.

De acordo com uma carta enviada pelo gabinete de João Paulo Rebelo às federações desportivas, a que a Lusa teve hoje acesso, a atualização das normas que regem a retoma do desporto em Portugal publicada pela DGS não pressupõe obrigatoriedade de realização de testes.

"A realização de testes para diagnóstico de COVID-19 poderá ser considerada pelas federações e clubes, sendo que, para este efeito, a DGS enquadra critérios com o objetivo de os auxiliar na decisão de realizar ou não os referidos testes", pode ler-se na missiva.

A carta não esclarece se esta decisão federativa abrange os desportos de alto risco, definidos pela DGS como sendo o râguebi, os desportos de contacto, como o judo, e outros como o polo aquático e a ginástica acrobática.

O presidente da Federação Portuguesa de Natação, António José Silva, disse hoje à Lusa que no caso de o polo aquático ter de pagar os testes, a modalidade acabará em Portugal.

"Se esta medida for para ser aplicada - é uma recomendação da DGS e, como é óbvio, a FPN, com poderes delegados do Estado, terá de a cumprir - estará a matar à nascença os clubes do polo aquático nacional", sentenciou.

O presidente da Federação de Ginástica de Portugal, João Paulo Rocha, pediu por seu lado "apoio" para a realização dos testes, enquanto o líder da federação de râguebi, Carlos Amado da Silva, acusou a DGS de "tratamento diferenciado" ao ser incluída nas modalidades de alto risco, à semelhança da ginástica acrobática.

Por seu lado, o presidente da Federação Portuguesa de Judo, Jorge Fernandes, assumiu o cumprimento das normas e anunciou que o torneio Internacional Kiyoshi Kobayashi será a primeira competição.

Nesta retoma "faseada", nota o gabinete da secretaria de Estado na carta, as modalidades de baixo risco de contágio podem retomar treinos e competições em todos os escalões, enquanto as de médio e alto risco podem fazê-lo apenas nos escalões seniores.

Nos escalões de formação desses desportos, será permitida "a realização de treinos sem limitações de distanciamento" desde que estes tenham "competições internacionais agendadas num prazo de até 45 dias", com os outros a treinarem de forma distanciada.

O gabinete lembra ainda que "a utilização de máscara por praticantes desportivos de modalidades que não impliquem esforço físico deverá ser garantida sempre que a mesma não comprometa a sua prática".

Ginástica acrobática, râguebi, polo aquático, patinagem artística de pares, judo e outras artes marciais são modalidades de alto risco, já que em todas elas, segundo o documento hoje publicado pela DGS, existe contacto "face a face".

Já as modalidades de médio risco, como o futebol, o futsal, o futebol de praia, o andebol e o hóquei de patins, realizam testes aleatórios até 48 horas antes da competição, sempre que as equipas compitam em zonas de transmissão comunitária ativa da doença.

A DGS já tinha autorizado a realização de atividade física em espaços fechados, mas de forma individual, em 29 de maio.

Portugal contabiliza pelo menos 1.805 mortos associados à covid-19 em 55.912 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Presidente da Federação de Râguebi contesta normas da DGS: "Os clubes, amadores como todos, não têm possibilidade de pagar os testes"

O presidente da Federação Portuguesa de Râguebi revelou, esta terça-feira, que os clubes não têm condições de financiar os testes exigidos pela Direção-Geral de Saúde, a todos os atletas. Carlos Amado da Silva acusou ainda a entidade de ter um "tratamento diferenciado" com outras modalidades