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Mourinho precisa do Sporting e o Sporting precisa de Mourinho. Não há dinheiro? Tem de haver

Nicolau Santos, sportinguista e presidente do Conselho de Administração da Lusa, lança-se na prospeção de mercado para dizer a Varandas qual o homem certo para o lugar de Keizer. E explana os seus argumentos

Nicolau Santos

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Frederico Varandas fez o que tinha de fazer: deu um safanão na estrutura de futebol do Sporting, despediu o treinador, manteve Bruno Fernandes, resolveu vários dossiês pendentes, aliviou a tesouraria do clube e contratou três jogadores (embora por empréstimo) para reforçar o setor atacante da equipa. Quanto aos reforços, logo se verá. Mas no essencial o presidente do clube retomou as rédeas do futebol do clube, retirou argumentos aos críticos e deu passos no sentido certo para ter de novo os sócios com a equipa. Falta no entanto um ponto decisivo: a escolha do novo treinador. E aí Varandas não pode dar um novo passo em falso.

E dar um passo em falso é ir buscar treinadores que ninguém conhece à II Divisão espanhola ou outro estrangeiro qualquer sem curriculum que só treinou equipas do meio da tabela nos seus países e que a única coisa que lhes era pedido era que a equipa não descesse de divisão. Não é de um treinador com este perfil que o Sporting necessita.

Para já, a escolha de Leonel Pontes como técnico interino justifica-se plenamente. Pontes conhece muito bem o clube, é sportinguista, foi adjunto de Paulo Bento durante 12 temporadas, já teve várias experiências no estrangeiro e está a ter um desempenho notável à frente da equipa dos sub-23 (cinco jogos, cinco vitórias, 23 golos marcados), podendo levar um ou mais destes jovens com talento para a equipa principal.

Não vejo pois, no plano interno, quem melhor possa assumir o cargo de treinador da equipa principal do clube. E convém lembrar (embora a história não se repita mas…) que quando o Sporting foi campeão pela mão de Inácio, este também substituiu um treinador estrangeiro no início da época.

Dito isto, será Pontes o técnico ideal para o Sporting? Não, desde que haja melhor alternativa. E neste momento a única alternativa verdadeiramente válida que teria enorme impacto nacional e internacional seria a contratação de José Mourinho para liderar a equipa principal de futebol do Sporting. Dirão: não há dinheiro para contratar Mourinho. Tem de haver. E além de dinheiro terá de haver argumentos.

Mourinho está há quase um ano sem treinar. A sua última experiência no Manchester United deixou-o numa situação difícil. O conflito com os jogadores leva a que presidentes de clubes pensem duas vezes em contratá-lo. E por isso é que Mourinho não está a treinar em Inglaterra, Espanha e Itália, os campeonatos mais interessantes. Mas também não está a treinar em França ou Alemanha.

Todos nós já sentimos vergonha alheia na nossa vida. Ontem, senti pelo senhor Marcel Keizer

Nicolau Santos, presidente do Conselho de Administração Lusa, foi à bola ver o seu Sporting e não gostou do desempenho do seu treinador. Que, no seu entender, devia ser despedido por Varandas, sob pena de o holandês arrastar a equipa, o presidente SCP e o clube para o abismo

Por outras palavras, Mourinho está a desvalorizar-se como treinador e precisa de relançar a carreira. Que melhor desafio pode ter do que pegar no Sporting e levá-lo à conquista do título que lhe escapa há 18 anos? Que melhor desafio pode ter do que conseguir para o clube um crescimento no seu prestígio nacional e internacional, que se tem vindo paulatinamente a perder nas últimas duas décadas? Afinal não foi isso que Mourinho fez quando chegou a Inglaterra para treinar o Chelsea, que não ganhava um título há 50 anos?

Mourinho está triste e não há nada que possamos fazer por ele

Dá a sensação, por vezes, de estarmos a assistir ao programa “As Memórias do Saudoso Mourinho”, aquele a quem um dia foi confiado o título de melhor do mundo, o estratega insuperável, o analista metódico, um líder de homens inquestionável. É injusto, mas provavelmente só havia este caminho para a redenção. E para a reconfiguração

Mourinho voltaria a ser falado nacional e internacionalmente, o seu nome estaria de novo em cima da mesa dos grandes clubes europeus, o Sporting atrairia o olhar do mundo do futebol, os futebolistas teriam orgulho em ser treinados por ele e a nação leonina voltaria a acreditar que tudo é possível. É um jogo em que as duas partes ganhariam profundamente. Só é preciso que o dr. Varandas o convença com argumentos sólidos, estes ou outros. O dinheiro que o clube investir nessa contratação terá um elevadíssimo retorno. Tão certo como a Primavera suceder ao Inverno ou dois e dois serem quatro