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Sportinguistas de todo o mundo: muni-vos da paciência de Job para continuar a amar o Sporting Clube de Portugal. Porque não está fácil

Nicolau Santos fala da "linha exibicional segura de Coates, que marcou pela segunda vez na própria baliza esta época", e de um treinador que decidiu fazer uma substituição impensável: tirar Vietto

Nicolau Santos

NurPhoto

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O Sporting perdeu ontem com o Famalicão em Alvalade por 2-1. E perdeu muito bem. Coates, mantendo uma linha exibicional segura, marcou pela segunda vez na própria baliza esta época, a que junta três penalties cometidos contra os verde e brancos. Vão duas derrotas à sua conta.

Mas quem mudou o destino da partida foi Leonel Pontes, com uma substituição que partiu a equipa e incendiou as bancadas. A partir daí, estava escrito que, mais minuto menos minuto, o Sporting acabaria por perder o jogo frente a uma equipa que tem um décimo do orçamento dos rapazes de Alvalade.

Muitos leitores me zurziram por ter escrito que, mais que jogadores, o Sporting precisa de um treinador de renome, em quem os jogadores acreditem e que os associados respeitem. Leonel Pontes tinha, para muitos, o benefício da dúvida por trazer no bornal várias vitórias seguidas com os sub-23, 19 golos marcados e nenhum sofrido e por conhecer bem a formação da casa.

A ideia é que Pontes poderia ser o Bruno Lage de Alvalade. E ele lá meteu jovens da casa a jogar: Miguel Luís, Jovane Cabral…

Infelizmente, não chega. É preciso também saber ler o jogo. Tomar as decisões certas nas alturas certas. E ontem Pontes cometeu um erro crasso ao tirar Vietto, até aí o jogador mais esclarecido, que tinha marcado um grande golo, que tinha feito outros remates perigosos, que ligava as jogadas mais perigosas e que muito pressionou os defesas do Famalicão. Aliás, o golo do Sporting nasce precisamente dessa forma de jogar dos leões na primeira parte, em que praticamente atropelaram o adversário.

A substituição deixou toda a gente incrédula e estupefacta. O monumental coro de assobios intranquilizou a equipa. É claro que Pontes não tem culpa que num contra-ataque perigosíssimo do Sporting, quatro contra quatro, Wendel consiga perder a bola e no contra-golpe o Famalicão chegue ao golo. Mas tem toda a culpa do mundo por não ter percebido que a equipa do Sporting anda sobre brasas e que está muito frágil do ponto de vista psicológico. Qualquer golpe de azar deixa os jogadores de rastos e incapazes de reagir. E foi isso que Pontes ontem conseguiu: deixar a equipa à nora com a substituição de Vietto e ver a sua autoridade enquanto treinador posta em causa não só pelas bancadas mas também pelo próprio jogador, que por gestos manifestou a sua insatisfação por deixar o terreno de jogo.

Não adianta, contudo, chorar sobre o leite derramado. O dr. Varandas tem de dar corda aos sapatos e contratar um treinador com provas dadas. Falei em Mourinho e toda a gente se riu. Também ninguém acreditava que Jesus fosse para o Sporting. Foi. O dr. Varandas ou consegue num golpe de asa contratar um treinador indiscutível para dirigir a equipa ou também ele acabará substituído nas próximas eleições.

Como escrevi e reitero, o Sporting é um desafio para um treinador que precise de relançar a sua carreira. O clube não ganha o campeonato há 18 anos. Quem o conseguir será falado em todo o planeta futebolístico e voltará a ser considerado para treinador de grandes clubes europeus. Mourinho tem o perfil exato para a tarefa. Se não for ele, há treinadores portugueses espalhados pelo mundo a fazer um excelente trabalho. Escolha-se um que monte a melhor equipa com os recursos à sua disposição, que faça os jogadores acreditar em si próprios e que opte por substituições que façam sentido. Até lá, sportinguistas de todo o mundo, muni-vos da paciência de Job para continuar a amar o Sporting Clube de Portugal.