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Crónica

Serenata à chuva

A água tinha andado fugida das 24 Horas TT de Fronteira nestes últimos anos. Mas para a largada os pingos regressaram em força

Rui Cardoso

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Foi debaixo de chuva que se deu a largada para a 22ª edição das 24 Horas TT de Fronteira. Não chegou ainda para criar lamaçais dignos desse nome nem encher as ribeiras. Mas o suficiente para criar uma camada de papa escorregadia e transformar qualquer manobra fora das trajectórias ideais num exercício de patinagem artística.

Isso começou a acontecer logo à segunda volta com a chegada do primeiro pelotão de concorrentes mais rápidos encabeçado pelo BMW Fouquet de Laurent Fouquet (um caso de redundância bem sucedido como se vê), o Nissan AC Proto do clã luso-francês Andrade e o MMP EVO de Ricardo Porém. Duas posições atrás o Mini X-Raid que partira da primeira linha da grelha.

Aparecer-nos toda esta gente nos espelhos quando estamos a tentar fazer uma curva pela trajectória ideal remete para os nossos piores pesadelos. Num caso toquei com um pneu traseiro numa pedra e no outro dei um beijo numa vedação com um dos faróis dianteiros. Nada de grave, apenas uma pontinha de emoção…

Declaração de amor

Emoção houve também na zona final da grelha de partida onde me encontrava quando, minutos antes da partida, a Peugeot 504 com o nº 65 que já faz parte da lenda desta corrida serviu de cenário a um pedido de casamento, aliás prontamente correspondido.

E se quiser saber qual o aspecto de uma grelha de partida vista lá de trás, aprecie a fotografia gentilmente cedida pelo director de segurança da corrida Jaime Santos, tirada poucos minutos antes da largada.

Entretanto, cada equipa tem a sua arma secreta. Como não podemos ter o Cristiano Ronaldo temos o Luis Figo, não o antigo médio construtor de jogo da Selecção mas o mais competente e simpático mecânico num raio de 200 km. Com a noite já fechada coube-lhe a ele e aos restantes elementos da nossa equipa de assistência fazer a troca de pneus que a prudência aconselhava e que transformarão o nosso Patrol GR nº 23 de uma bailarina em pista de gelo no sucedâneo de um tractor soviético, mais adequado ao estado do piso.

Na próxima crónica vos contarei as emoções da condução nocturna nesta pista alentejana.