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Um prego mal passado

Aventuras e desventuras nos treinos nas 24 Horas TT de Fronteira

Rui Cardoso

Paulo Maria/ACP

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Aventuras e desventuras nos treinos nas 24 Horas TT de Fronteira.

Rui Cardoso

Há uma velha história que se conta, tendo como cenário um estádio de futebol. No meio da bancada um espectador berra que nem um possesso: “40 mil espectadores, 22 jogadores, três árbitros e o estupor do pombo tinha que acertar na minha cabeça…”

Assim foi nos nossos treinos de qualificação para as 24 Horas TT de Fronteira. Com 85 concorrentes em prova, uma dúzia de viaturas de socorro (entre organização, INEM, GNR e reboques), o único prego que existia na pista teve que sobrar para nós. E assim nos estreámos a furar, depois de vários ensaios com diferentes tipos de pneus, diversas pressões e diferentes trajectórias nas zonas mais degradadas.

Sem turbo e furado

Nada que tivesse consequências de maior já que o nosso Nissan Patrol GR, com o nº 23, agora pintado de um branco resplandecente, conseguiu chegar à box sem problemas de maior, ainda que, para ajudar à festa, uma das tubagens do turbo tivesse feito o favor de sair do sítio, deixando-nos com metade dos cavalos, senão menos, a subir para a recta da meta.

É mais ou menos como um jogador de futebol lesionar-se no aquecimento e obrigar a uma substituição de última hora, pondo em causa a estratégia traçada pelo treinador mas uma corrida como esta não tem 90 minutos mas 24 horas, portanto haja calma que ainda há muito quilómetro para fazer. Isso mesmo nos explicava o nosso vizinho de box, nada menos que Santinho Mendes, um piloto que já corria nos ralis quando os carros que ganhavam corridas eram Fiat 124 ou Ford Escort e as figuras de topo eram, além dele próprio, Markku Alen ou Hannu Mikkola. E o repórter que contava tudo isto não era o Rui Cardoso no Expresso mas Santos Neves nas páginas de “A Bola”…

O mistério das pedras parideiras

Além do mais, numa grelha de partida com mais de 80 carros e com grandes diferenças de andamento entre concorrentes, a experiência mostra que, quanto mais para trás se sair, melhor

A chuva, até ver, tem sido relativamente modesta mas suficiente para fazer correr um fio de água nas ribeiras e, sobretudo, tornar o piso da pista menos

agressivo para as mecânicas e suspensões, ainda que nestas primeiras voltas sejam perceptíveis os primeiros sinais de degradação, com abertura de crateras e regueiras e a reprodução desse fenómeno geológico que se julgava exclusivo da Serra da Freita que são as pedras parideiras, neste caso os penedos que começam a nascer de geração espontânea no meio da pista.

Como seria de esperar os candidatos à vitória imprimiram nestes treinos um andamento verdadeiramente infernal, com as primeiras filas da grelha a serem constituídas por carros que fizeram menos de dez minutos na qualificação, ou seja médias de mais de 100 km/h. Na primeira fila estarão o Mini X-Raid de Laurent Fouquet, o Nissan AC Proto do clã Andrade e o BMW Proto de Pedro Dias da Silva. É obra, garanto-vos eu, mas amanhã à partida, todos lá estaremos, a arrancar para 24 Horas durante as quais tudo pode acontecer, até na última volt