Tribuna Expresso

Perfil

Crónica

O futebol testou positivo à covid-19

Luca Waldschmidt é o último caso positivo a saber-se no dia em que arranca a final four da Taça da Liga, já inevitavelmente manchada por acusações do FC Porto ao Sporting e uma resposta que levanta também questões: um erro laboratorial que já foi desmentido pela Unilabs. A pandemia comunicacional juntou-se à sanitária. Mas convém não perder a perspectiva: o que interessa é a saúde dos que foram, estão ou podem ficar infectados

Pedro Candeias

Quality Sport Images

Partilhar

Era inevitável: apesar de todos os esforços individuais, coletivos, as bolhas, os isolamentos, os testes e as precauções, mais cedo ou mais tarde a covid-19 espalhar-se-ia pelo futebol português.

Com este ritmo de crescimento e com este nível de contágio, seria impossível o número de infectados não aumentar entre os futebolistas e staff dos clubes portugueses. Simplesmente porque as ligas não confinaram e este é um desporto que implica proximidade e contacto, no treino e no jogo.

Assim, o futebol persegue uma bola de neve que engorda com os casos positivos ribanceira abaixo, uma cadeia imparável teste-isolamento-convalescença-regresso que não reconhece credos, carteiras ou cores - e nem mede grandezas de clubes - com consequências sanitárias e obviamente desportivas.

Ora, enquanto a covid-19 apenas atacou Moreirense, Tondela ou Gil Vicente - este último obrigou o adiamento do jogo com o Sporting -, a questão foi tratada com os cuidados necessários, mas, pronto, fazia parte da vida, a máquina não podia parar. Mas agora a covid-19 chegou à Taça da Liga, uma final four entre as quatro melhores equipas portuguesas e com um título em disputa: naturalmente, o impacto é maior.

Na segunda-feira, o FC Porto acusou o Sporting de não jogar segundo as regras, pois anunciara testes positivos a Sporar e Nuno Mendes e ontem convocou-os convocados para o clássico desta noite; entre um momento e outro, passaram-se quatro dias e não dez dias, como está estipulado pela DGS. O FC Porto reservou o direito de não disputar o encontro.

Bom, e o Sporting respondeu com palavras como "mesquinhez" e "tacanhez", alegando que os resultados de Sporar e Nuno Mendes eram falsos positivos, atribuindo o erro ao laboratório. Às tantas, o diretor de comunicação Miguel Braga disse isto: "Se não quiserem comparecer, não compareçam, mais fácil para nós”. Entretanto, o laboratório Unilabs disse a "O Jogo" que não assumia qualquer erro, o Sporting garantiu ao "Record" que tinha provas desse mesmo erro, e o Braga emitiu um comunicado a criticar o "tratamento de exceção" ao Sporting.

Entrámos, claro, no domínio da guerrinha política e comunicacional, cujo tiro de partida até fora dado por Tiago Pinto, ex-diretor geral do Benfica, que insinuara haver clubes que não revelavam testes positivos.

São momentos dispensáveis; o indispensável é que não nos esqueçamos do seguinte: os que estiveram ou estão infectados, futebolistas, treinadores ou membros da estrutura.

No Sporting: Borja, Renan, Inácio, Pote, João Pedro Araújo, Rúben Amorim, Luís Maximiano, Nuno Santos, Quaresma, Rodrigo Fernandes, Palhinha, Plata, Nuno Mendes (?), Sporar (?), Neto, Gonçalo Álvaro, Paulinho, Carlos Fernandes.

No FC Porto: Loum, Diamantino Figueiredo, Manafá, Fábio Vieira, Meixedo, Otávio, Cláudio Ramos, Carraça e agora Sérgio Oliveira, Luis Díaz e Evanilson.

No Benfica, David Tavares, Svilar, Weigl, Darwin, Taarabt, Daniel dos Anjos (com sequelas cardíacas), Pizzi, Jardel, Gonçalo, Ramos, João Ferreira, Seferovic, Tiago Pinto, Gabriel, Cervi; segundo o Record, Waldschmidt, João de Deus, Pietra, Fernando Ferreira, Luisão estão infectados, Everton e Gilberto irão fazer novo teste esta terça-feira*

E no Braga: Bruno Viana, Tormena, David Carmo, Castro e Fransérgio,

*Informação por atualizar face ao comunicado do Benfica em que o clube anuncia haver mais 17 novos casos positivos