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O luso-cagómetro

"Em circunstâncias normais, o tiro de Matheus Nunes seriam pontapés no 'cagómetro' leonino, mas o 'cagómetro' não é uma questão de lógica ou de factos, é cultural. Veja-se o Porto. Hoje joga em Moreira de Cónegos. Pode ficar a sete pontos do líder e dizer adeusinho ao campeonato. Alguém acha que há 'cagómetro' no Olival? Nem pensar nisso", escreve Bruno Vieira Amaral

Bruno Vieira Amaral

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Os mais novos se calhar não acreditam mas o Barcelona é o clube mais pessimista do mundo, o clube pessimista por excelência, o clube que acha sempre que vai perder. É verdade que nos últimos anos as coisas mudaram e já não se fala tanto do “cagómetro” catalão, mas ele existe, adormecido no ADN blaugrana. O “cagómetro” (ou “borrómetro”) é o instrumento que mede os níveis de medo e puro pavor de um clube que vai à frente com uma vantagem confortável. Mesmo na primeira época de Pep Guardiola no Barcelona, em 2008/09, o “cagómetro” registou níveis paralisantes de ansiedade quando a equipa passou de uma vantagem de doze pontos para uma de quatro.

Dito isto, falemos do Sporting. Não, não. Antes disso, uma pequena explicação. O “cagómetro” não é um instrumento universal. É próprio de certas instituições e culturas desportivas. No Real Madrid, por exemplo, não existe. Nem a perda de dois campeonatos na última jornada nos anos 90 fez com que os “merengues” desenvolvessem o seu modelo de “cagómetro”. Agora, sim, o Sporting. À falta de um aparelho, os níveis de pavor de um clube medem-se pelas reações dos adeptos. E eu tenho a certeza de que se houvesse um “borrómetro” em Alvalade teria rebentado naquele momento em que o salvador Adán teve um lapso raro e ofereceu um golo ao avançado da B-SAD.

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