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Crónica

Máximos Olímpicos

Com o tempo, as desculpas tornaram-se no nosso desporto olímpico preferido, uma espécie de competição paralela, em que nós, espectadores de sofá que durante os quatro anos da olimpíada não ligávamos pevide àqueles desportos exóticos e desportistas obscuros, nos sentíamos defraudados e exarávamos sentenças inapeláveis, como se aqueles homens e mulheres que se sacrificavam para lá do que o nosso entendimento concebia, nos tivessem roubado deliberadamente as alegrias a que julgávamos ter direito

Bruno Vieira Amaral

O português João Pereira terminou a prova de triatlo, no domingo, na 27.ª posição, depois do 5.º lugar nos Jogos anteriores, no Rio de Janeiro

JOSÉ COELHO/LUSA

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Adolescente, a minha grande preocupação nas férias de verão era conciliar a praia com o calendário caleidoscópico dos Jogos Olímpicos para assistir a provas de pentatlo moderno, esgrima, hipismo, tiro, pólo aquático, natação sincronizada, saltos para a água, ginástica desportiva, hóquei em campo e, claro, atletismo e de todos os desportos em que os atletas portugueses tivessem hipóteses, ainda que remotas, de um sucesso ou do que rapidamente nos habituámos a designar como “prestação honrosa”, sugerindo involuntariamente a possibilidade de prestações desonrosas, ideia distante dos valores nobres e platónicos do barão de Coubertin.

O meu interesse nos Jogos Olímpicos era patriótico, estatístico e contabilístico, mais ou menos por esta ordem. Registava marcas e medalhas, resultados e recordes. Com os nossos atletas era de uma exigência espartana. Como se atreviam a ir ao estrangeiro a expensas do erário público (eu não usava esta expressão, talvez outras mais chulas) sem rapinar todos os metais preciosos que pudessem acabando atrás de países como o Azerbaijão ou a Turquia com as suas legiões de halterofilistas de metro e meio e lutadores de cabeças quadradas?

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