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Crónica

O ofício do golo

Todas as semanas lá vão aparecendo casos destes em que o jogador, por respeito ao anterior clube, aos amigos, em homenagem a um tio convalescente ou a uma prima que acabou de perder o emprego, comete essa atrocidade, o crime humanitário de não festejar um golo. Coincidiu a proeza de Toni Martínez com a morte de um jogador que, na opinião de alguns especialistas demasiado picuinhas, “só” sabia marcar golos. Mas Gerd Müller não só marcava, como também sabia festejar

Bruno Vieira Amaral

picture alliance

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Se as autoridades do futebol me pedissem uma contribuição para melhorar o jogo (o que, incompreensivelmente, não fizeram até agora), a minha modesta proposta seria a expulsão dos jogadores que não festejam os golos. Há dias, passaram 25 anos desde o célebre golo de Rui Costa no Estádio da Luz com a camisola da Fiorentina. Na altura, o eterno n.º 10 chorou baba e ranho, foi confortado pelos colegas, aplaudido pelas bancadas e até o árbitro deve ter pensado se não seria melhor anular o golo por razões emocionais.

No domingo, Toni Martínez, nome de cançonetista andaluz, marcou dois golos à sua antiga equipa e também não festejou. Não chegou ao cúmulo das lágrimas, mas levantou os braços a pedir desculpa, como que a jurar que não tivera a intenção de magoar os antigos adeptos, e, envolvido por uma massa de companheiros indecisos entre dar-lhe os parabéns ou os pêsames, lá regressou ao jogo, contristado.

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  • Morreu Gerd Müller, o incrível avançado alemão
    Futebol internacional

    Notícia foi avançada pelo Bayern Munique, onde o goleador brilhou nos anos 60 e 70. Müller tinha 75 anos e as causas da morte não foram ainda reveladas. Melhor marcador da história da Bundesliga, o atacante que desafiava o protótipo do avançado alemão foi o marcador do golo que deu o título mundial à Alemanha em 1974, frente à Holanda