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Crónica

“No más” significa apenas que desistir também é humano

Bruno Vieira Amaral fala-nos do ciclista colombiano Miguel Ángel Lopez e vai mais atrás para nos falar do pugilista Roberto Durán e dos seus duelos com "Sugar" Ray Leonard para nos contar sobre esse ato profundamente humano que é reconhecer que não se pode mais

Bruno Vieira Amaral

Tim De Waele / Getty / POOL

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“Podes perder, mas não podes desistir.” Mesmo os que só praticaram desporto na desportiva ouviram frases deste género. A desistência voluntária, que não se deva a dificuldades físicas inultrapassáveis, é dos maiores tabus, se não o maior, do desporto de alta competição. É-se mais tolerante com um batoteiro do que com um desistente.

Quem desiste não só põe em causa esses princípios quase sagrados da superação e da resistência às adversidades – por isso elogiamos o maratonista que, mesmo nos últimos lugares, faz questão de terminar a prova, muitas vezes para desfalecer logo a seguir – como, em particular nos desportos de confronto individual, impede o vencedor de saborear merecidamente a vitória, de experimentar a glória máxima de derrubar um adversário que foi aos limites e deu tudo o que tinha.

Haverá algo de infantil e caprichoso no atleta que, apercebendo-se de que a vitória está fora do seu alcance ou que já não é possível alcançar os objetivos a que se propôs, bate em retirada, amuado. É uma birra e revela um mau perder que, à honra da derrota, prefere a humilhação da renúncia. Porque a renúncia é ainda um atributo da vontade. Quem perde é porque não consegue ganhar, mas quem desiste fá-lo convictamente. É um protesto contra si mesmo, os outros, os deuses, uma afirmação negativa. “No más.”

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