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Crónica

Cebolinha, por favor, finta um ser humano

O futebol de Everton é penoso, esquivo, fantasmagórico. Quando tenta ultrapassar um adversário com um drible, a intenção é tão denunciada que é quase como se Everton, antes do jogo, lhe tivesse enviado uma carta com aviso de receção a explicar ao pormenor o que queria fazer, escreve Bruno Vieira Amaral, que gostava muito de dizer que o Benfica acertou na mouche

Bruno Vieira Amaral

Carlos Rodrigues/Getty

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No ano inicial da grande tribulação benfiquista, 1994, chegou ao clube um central brasileiro chamado Paulão. A alcunha, de acordo com o próprio, era “coice de mula”. Num jornal desportivo da época, lia-se que, depois de Ricardo Gomes, Mozer e Aldair, o Benfica voltara a “acertar na mouche”. Vinha aí outro central brasileiro para mais tarde recordar. E, como se vê, ainda é recordado, mesmo que só tenha vestido a camisola da águia em sete jogos, desaparecendo no final daquela temporada, indo escoicear para outras pastagens.

Um dos grandes mistérios do futebol português — que digo eu? Do futebol mundial! — é, no preciso momento em que escrevo, Everton Cebolinha. Quando chegou, pensei: “o Benfica acertou na mouche!” Hoje, vejo-o em campo e não é que ele se arraste, não se empenhe ou se mostre desinteressado (arrisco dizer que o facto de Jorge Jesus continuar a dar-lhe a titularidade é prova cabal do empenho do brasileiro e, um bocadinho menos, da teimosia do treinador); é que a bola, quando lhe chega aos pés, adquire o peso das bolas de ferro dos condenados.

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