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Crónica

A voracidade fleumática de Ancelotti

É um tipo com quem gostaríamos de nos sentar a falar sobre a vida e, tranquilamente, sobre futebol. Se Bruno Vieira Amaral fosse para uma guerra levaria Simeone como líder das tropas, mas para beber um café numa esplanada em Veneza, ou visitar um museu em Florença, escolheria Carletto. Ali está um animal competitivo disfarçado sob um véu de serenidade budista

Bruno Vieira Amaral

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Ainda bem que o Real Madrid empatou em casa contra o Villarreal e a imprensa madridista lançou as primeiras críticas a Carlo Ancelotti porque, se assim não fosse, este artigo soaria demasiado oportunista, uma colagem interesseira às vitórias do treinador italiano para o elogiar. Assim, depois de um empate que veio arrefecer o entusiasmo que a época catastrófica do Barcelona (apesar do entusiasmo pelo regresso de Ansu Fati, o novo Messias de Camp Nou) e a época medíocre do Atlético tinham acendido, empate que até poderia ter sido uma derrota, sinto-me mais à vontade para dizer que o meu treinador preferido é Carlo Ancelotti.

Não tem sobre a cabeça a auréola do génio tático, as suas equipas não jogam naquele ritmo heavy metal das equipas de Klopp (cada golo do Liverpool dá vontade de subir a um palco e escangalhar uma guitarra e mostrar o dedo do meio ao público), não é um especialista da blitzkrieg como o seu compatriota Antonio Conte, falta-lhe o nervo de saqueador de Simeone e, como não é jovem nem germânico, ninguém pode reclamar para si a descoberta de uma estrela em ascensão com o cérebro a explodir de inovações metodológicas.

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