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Crónica

Infelizmente, não houve taça

Depois de imaginar o que fariam Sérgio Conceição, Rúben Amorim e Jorge Jesus caso as suas equipas tivessem escorregado na Taça de Portugal, Bruno Vieira Amaral admite que ver o jogo do Benfica contra o Trofense e, no dia seguinte, o massacre do Bayern de Munique em casa do Leverkusen o pôs a ansiolíticos. Da “segunda linha” do Benfica, assim chamada porque deveria estar na segunda liga, a fazer companhia à equipa B, o escritor considera que não se pode dizer que foi desastrosa porque, ao menos, os desastres geram uma curiosidade mórbida

Bruno Vieira Amaral

MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

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Infelizmente não houve taça. Os Golias desviaram-se com relativa facilidade dos projéteis timidamente arremessados pelas fundas pobres dos Davides e derrubaram-nos sem piedade. Porém, não deixo de imaginar o que faria Sérgio Conceição em caso de derrota contra o modesto Sintrense. Vejo o plantel obrigado a voltar ao Porto a pé, com uma lata de sardinhas e um cantil meio de água nas suas malas Louis Vuitton, a enfrentar a noite e o frio na Serra de Aire, as buzinadelas e os impropérios disparados das viaturas a circular na A8. Os Martinez e os Vitinhas, os consagrados e as jovens promessas, todos os que sobrevivessem ao suplício da peregrinação forçada condenados ao degredo da equipa B.

E Jorge Jesus? O que faria Jesus se o Trofense tivesse levado a melhor? Quem, de entre a multidão de avançados, passaria o resto da época entre o banco e o exílio do flanco direito (suspeito que fosse Gonçalo Ramos)? Ordenaria ele a destruição do Seixal? E Rúben Amorim? Bem, de Rúben Amorim espero sempre uma reação fleumática, britânica, pedagógica. Julgo que daria uma folga de três dias ao plantel, após a qual fariam uma excursão familiar ao Badoca Park ou passariam o resto da semana fechados em Alcochete a rever o vídeo do jogo ao som de Ravi Shankar.

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