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Crónica

Sporting de Braga, o clube-carrossel, irritantemente equidistante da glória e da catástrofe

Depois da derrota na Luz por 6-1, Bruno Vieira Amaral dedica umas linhas ao SC Braga, uma "complexa engrenagem concebida para não sair do mesmo sítio", que tem em Carlos Carvalhal o treinador ideal, porque há nele "a mesma temperatura espiritual do clube, nem quente, nem fria"

Bruno Vieira Amaral

DeFodi Images/getty

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Nos últimos anos, o Sporting de Braga tem sido um clube irritantemente equidistante da glória e da catástrofe. É um autêntico clube-carrossel, um clube que anda às voltas, que tem os seus altos e baixos, que às vezes contempla uma paisagem maravilhosa, com árvores e lagos e montanhas, e outras vezes só vê lixeiras, prédios arruinados e cenários apocalípticos, para acabar quase sempre no mesmo lugar, o quarto.

Os dramas, os momentos de turbulência, as trocas de treinador e os ataques de fúria do presidente repetem-se com uma previsibilidade reconfortante, como se fossem episódios de uma série cujo guião é conhecido de todos. É um drama sem dramatismo, uma tragédia placidamente trágica, uma comédia que não faz ninguém rebolar de riso porque as piadas, apesar de bem executadas, são as mesmas do ano anterior.

O Braga lembra-me um funcionário há décadas na mesma empresa que tem a arte de resistir a todas as remodelações e despedimentos coletivos, mas que nunca é promovido. De vez em quando mudam-no de lugar e tem a sorte de ir para perto da janela ou o azar de ficar debaixo do ar condicionado. Entusiasma-se quando ganha o ocasional prémio de desempenho para logo a seguir se afundar num pântano de inércia e desmotivação.

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    Num dia é-se goleado e no outro goleia-se e a habilidade estará em encontrar o meio-termo. O Benfica não é hoje o oposto do que foi em Munique, nem o Sporting de Braga que não era derrotado há quase dois meses ficará com a etiqueta desta meia dúzia (6-1) encaixada no Estádio da Luz, num jogo em que Everton parece ter nascido com dois golos e um par de assistências