Tribuna Expresso

Perfil

Diário

Bruno Vieira Amaral escolhe o sucessor de Vitória (um alemão) e faz um pedido a Vieira: “Não confie tanto na iluminação pública da zona do Seixal”

Numa crónica dura, lúcida e com autocitações (o autor haverá de pedir perdão por isso), o escritor Bruno Vieira Amaral explica como um homem pode ser tão pouco amado e enigmático: “Rui Vitória falava como alguém que parecia não saber nada do que estava a dizer. Se era estratégia, era de génio. Se não era estratégia, era de quadrúpede”. Vem aí uma grande leitura

Bruno Vieira Amaral

marcos borga

Partilhar

“Mais luz, mais luz” terão sido as derradeiras palavras de Johann Wolfgang von Goethe antes de exalar o último suspiro. Minutos depois, estava morto. Em novembro do ano da graça de 2018, Luís Filipe Vieira, a quem não se conhecem talentos literários ou tendências místicas, afirmou ter visto uma luz após uma noite mal dormida, meditativa, no eremitério do Seixal. Se a interpretou corretamente, a luz disse-lhe para manter Rui Vitória no cargo de treinador do Benfica, o que Vieira, confiado na sua intuição e contra a opinião dos restantes administradores da SAD, fez, embora ressalvando que seria o tempo a dizer se a decisão fora a mais correta. E o tempo, que às vezes se atrasa, desta vez veio com asas nas botas e trouxe uma mensagem: “estavas enganado”. O presidente do Benfica certamente esperava que a luz anunciasse não a morte, mas a recuperação de uma equipa moribunda. Só que o voto de confiança no treinador só deu para que o paciente recobrasse os sentidos e alinhasse uma série triste de vitórias magras durante as quais Rui Vitória compareceu perante a imprensa com um ar tão descontraído como o de um homem que, em cima do patíbulo, sente o laço da corda a apertar-se à volta do pescoço.

A vitória inesperada, pela exibição e pelo resultado, contra o Braga foi uma trégua natalícia sem sequência. O povo chama-lhe, com a sabedoria da experiência, as “melhoras da morte”. “Mais luz”, pedia Vitória, mas a única luz que se via era a do Além futebolístico que os treinadores visitam várias vezes ao longo da carreira. Após o jogo na Vila das Aves para a Taça da Liga, em que o Benfica garantiu a passagem à final four com um empate lisonjeiro e mais uma exibição sem vida e sem sangue, Vitória assinou um epitáfio de uma comicidade involuntária ao afirmar que se a equipa precisasse de ganhar teria jogado de outra maneira quando era evidente até para um ceguinho que o que a equipa precisava era de jogar de outra maneira, jogar como se precisasse de ganhar, jogar como se precisasse de jogar melhor.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. Pode usar a app do Expresso - iOS e Android - para descarregar as edições para leitura offline)