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Rui Gomes da Silva: “Jorge Mendes goza com a cara do Benfica e manda em Vieira”

Chega à entrevista com todos os cartões de sócio do Benfica na mão (e são muitos, é afiliado praticamente desde o nascimento) e, na lapela, um alfinete do símbolo, que era do pai. “É a primeira vez que o uso.” Aos 62 anos, Rui Gomes da Silva, antigo vice de Vieira e, nos últimos anos, o seu mais vocal crítico, candidata-se porque o Benfica “é um projeto desportivo”, e não “um negócio”, e com a certeza antiga de que o clube tem de lutar pela Champions

Lídia Paralta Gomes e Tiago Miranda

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Em 2016, depois de sair da direção do Benfica, afirmou que nunca se apresentaria a eleições contra Luís Filipe Vieira. Mas rapidamente se tornou no seu crítico mais vocal, e em 2017 anunciou que seria candidato. Qual foi o ponto de inflexão?
É verdade que disse isso, mas em função de um conjunto de circunstâncias que existiam no momento em que saí do Benfica. Depois disso, todo o percurso de Luís Filipe Vieira e de pessoas que estão próximas do Benfica e do presidente fizeram com que eu refletisse sobre a necessidade de o Benfica ter outro caminho. Caminho esse que eu sempre defendi. Não fui eu que me afastei de Vieira, foi Vieira que se afastou daquilo que eu julgo serem condições essenciais para se ser presidente do Benfica, que têm a ver com comportamentos, projeto desportivo e a salvaguarda do bom nome do Benfica. Isso fez-me infletir numa decisão que eu tinha como pacífica quando saí do clube. Embora no meu percurso de sete anos e três meses no Benfica nunca tenha deixado de discordar — e frontalmente — em relação a coisas com as quais não concordava.

Quando sai, já havia, então, uma discordância forte com Vieira.
Sim. Momentos altos da minha discordância: a questão Olivedesportos, quando discordei da renovação do contrato de direitos televisivos. Demorou muito tempo até que esta posição obtivesse apoio no Benfica. Além disso, sempre entendi que o Benfica deveria estar permanentemente num projeto desportivo para ser candidato a campeão europeu. Depois, na primeira época de Rui Vitória, acusei a estrutura do clube de estar num processo de aburguesamento. Em junho de 2016, disse na assembleia-geral que aquele não era o meu caminho, que o Benfica até poderia chegar a um título europeu, mas não era o que eu queria, a Liga dos Campeões. Eu acho que o Benfica tem obrigatoriamente de lutar todos os anos para ser campeão europeu, mas quem lá está não quer, não acredita. E por isso temos vendas de jogadores fundamentais todos os anos, em sentido contrário àquilo que é o discurso. Durante 20 anos fui uma voz no deserto e só quando outros perceberam que isso poderia ser um tema de campanha é que passaram a utilizar a ideia do título europeu nos seus discursos.

Acha que o discurso mais ambicioso de Vieira é uma estratégia eleitoral?
Não queria falar sobre as inflexões táticas e estratégicas de Luís Filipe Vieira. Mas digo-lhe olhos nos olhos, como lhe direi a ele, que nada daquilo que ele diz corresponde ao que ele sente. Não posso acreditar que alguém que nos últimos 20 anos esteve calado em relação ao tema Benfica campeão europeu tenha descoberto nos últimos meses que esse é o desígnio do clube.

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