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O Clássico: um jogo apressado, sem pausa e com histórias

Sporting e FC Porto defrontam-se após a pausa para as seleções e com alguns reforços no bolso após o fecho do mercado

Em julho, Sporting e FC Porto encontraram-se no Dragão em jogo da segunda volta, já disputado sem público nas bancadas por causa da pandemia. Esta noite, o clássico acontece em Alvalade

Octavio Passos/Getty Images

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As caneleiras de Domingos Paciência, que estalavam como quem chora e pede uma trégua, não duravam uma temporada, partiam-se com os dentes das botas alheios. Os anos 90, já se sabe, eram outra coisa. “Eu tinha uma facilidade de drible muito grande, no pára-arranca, no jogo de corpo, no passar o pé por cima da bola, nas vírgulas, nessas coisas todas, mas levava muita porrada”, recorda ao Expresso o ex-futebolista do FC Porto e ex-treinador do Sporting que tem uma longa história no campo do clube lisboeta, onde hoje (20h30) se joga mais um clássico do futebol português. Quem sabe tivesse sido útil escutar o conselho de Hugo Sánchez a Fernando Morientes: “Usa espinilleras à frente e atrás, menino.”

Edmilson Pimenta, o último futebolista a marcar por FCP e Sporting no velhinho Estádio de Alvalade, confirma que eram tempos duros. E até no dia a dia. “No Porto havia mais intensidade nos treinos, você via jogadores que eram amigos a pegarem-se. Quando acabava o treino, pronto, amigos na mesma, conversavam [risos]. Vi muita coisa ali que vou-te falar... Era bem quente, bem quente mesmo [gargalhada]”, lembra. Domingos não se esquiva à pergunta: “Isso começava logo na escolha das equipas. Era difícil porque queríamos ter uns para dar porrada e outros para jogar [risos]. Quem perdesse ficava com uma azia enorme. Quem ganhava fazia uma festa de forma a que os outros ficassem revoltados com o que aconteceu. E isso levava-nos já a pensar no próximo treino e no próximo jogo.”