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Enfiar um circo dentro de uma bolha: como pôr 27 mil pessoas em bancadas em tempo de pandemia

Vinte e quatro anos depois, Portugal acolhe um GP de Fórmula 1 que será necessariamente diferente em função da pandemia

João Mira Godinho e Jaime Figueiredo

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Quando, a 24 de julho, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) anunciou o regresso da Fórmula 1 a Portugal, ao fim de 24 anos, o país registava 313 novos casos de covid-19. Os baixos números de novos contágios que se verificavam na altura estiveram mesmo entre os motivos apontados para a escolha da pista do Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão, para completar o calendário do mundial deste ano, depois dos cancelamentos provocados pela pandemia. Esta semana, com a corrida agendada para domingo, ultrapassou-se pela primeira vez os 3000 novos casos da doença num só dia, dez vezes mais do que em julho. Segurança é, por isso, a palavra de ordem quando, até por aí, pode passar a continuidade da principal competição do desporto automóvel em Portugal.

“A zona do paddock é considerada uma ‘bolha vermelha’, de segurança máxima, está completamente isolada e todas as pessoas que lá entram são testadas diariamente ou de dois em dois dias”, explica Paulo Pinheiro, administrador do AIA. “É desagradável, todos os dias”, reconhece, “mas tem de ser... surgir um surto entre as equipas seria impensável”. A tarefa envolveu o controlo de 1500 pessoas na fase de montagem, que terminou na quinta-feira, e de 3000 a 4000 durante os treinos, sexta-feira e sábado, e na corrida, domingo. Também para reduzir o risco, não é permitida a entrada de convidados e a presença de jornalistas foi limitada a 100, que seguem todo o Campeonato do Mundo de F1 ao longo do ano.