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No Bessa, não há boa vista

Com dívidas do passado, a claque de costas voltadas para o clube e impedido de contratar um jogador, o futuro do outrora Boavistão está tremido. O antepenúltimo lugar na Liga ameaça fazer ruir o projeto sustentado por um investidor estrangeiro

Vítor Murta confia que segunda volta será melhor

rui duarte silva

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A prometida época de renascimento do Boavista está, para já, comprometida. O esperado noivado anunciado no verão com Gérard López, o investidor hispano-luxemburguês dono do clube belga Mouscron e até há pouco dos franceses do Lille, acabou em casamento em janeiro — sem lua de mel nem final feliz. Em cinco meses, tudo o que podia correr mal correu. E o novo ano não augura tempos melhores. A equipa segue num tremidíssimo antepenúltimo lugar da tabela classificativa, com apenas 14 pontos, tantos quantos o Famalicão, e apenas mais um do que o lanterna vermelha, o regressado Farense.

A sequência de acontecimentos foi esta: em dezembro, à míngua de resultados e uma só vitória — frente ao Benfica, a coroa de glória da temporada —, trocou-se a esperança Vasco Sea­bra pelo veterano Jesualdo Ferreira, treinador que em 2006 foi desviado pelo vizinho FC Porto, após uma breve passagem pelo Bessa, cobiça que rendeu ao clube €250 mil; e em janeiro, ameaçado pelos adeptos em fúria, foi a vez de o diretor desportivo, Ricardo Costa, bater com a porta, rescisão que fonte do clube diz ter sido “amigável”, embora, segundo apurou o Expresso, os termos do acordo ainda estejam a ser “discutidos” pelos advogados das partes desavindas. Num imparável carrossel de adversidades, a 1 de fevereiro o avançado Juninho, o único reforço de inverno sinalizado para ajudar a dar a volta ao marcador, foi obrigado a retornar à casa de partida — o Desportivo de Chaves —, após a Liga Portugal ter impedido a SAD de inscrever novos jogadores. O atleta brasileiro, formado no Atlético Paranaense e que debutou em Portugal, na época passada, no Estoril, ainda treinou com a camisola axadrezada e voltará a 1 de julho ao Bessa se, até lá, for levantada a proibição de contratar jogadores. A interdição, ainda não justificada por Vítor Murta, presidente do Boavista e da SAD, foi ditada por alegadas “dívidas antigas”, na sequência do incumprimento de um acordo de pagamento faseado a um credor, cuja identidade o clube não revela. E é neste contexto que sábado o Boavista viaja ao Dragão para outro clássico com o FC Porto.