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Diogo Faro

"Raphinha, anda pá mesa que o jantar é pheijoada!”, ou como Diogo Faro gosta tanto do rapaz que passará a escrever com PH tudo o que é com F

Diogo Faro viu o Sporting-Feirense e apreciou a dupla de centrais dos leões: Coates em modo pai de um menino que faz anos e tem os amigos todos lá em casa a correr de um lado para o outro, sempre a controlar tudo, a ver se os meninos se portam todos bem e André Pinto, o tio fixe da mesma festa

Diogo Faro

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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SALIN

Antes de mais, tenho de começar esta crónica por dizer que o Feirense é muito forte nas bolas paradas, com destaque para o Edinho que é muito forte nas bolas paradas. Ah, e não sei se já vos tinha dito mas o Feirense é muito forte nas bolas paradas. É que como os comentadores só referiram isso perto de 475 vezes, achei por bem reforçar a informação. Verdade seja dita, foi mesmo de bola parada que o Edinho ia marcando. Isso e um par de defesas à figura fizeram a noite do Salin.

RISTOVSKI

Continuo a achar que alguém que como ele lida com as emoções tão friamente, ou é psicopata ou está a acumular. Deu um toquezinho num jogador do Feirense, levou logo amarelo. Engoliu o sapo e poucos minutos levou com uma bastonada na rótula e quase que o lance nem falta dava, quando mais amarelo. Lá teve de engolir outro sapo. Depois admirem-se que um dia destes entre em campo com dois cockatail Molotov na mão e um cinto de granadas. Para já, vingou-se mais subtilmente com aquele passe rasgado que o miúdo meteu lá para dentro.

COATES

Senti-o como o pai de um menino que faz anos e tem os amigos todos lá em casa a correr de um lado para o outro. Sempre a controlar tudo, a ver se os meninos se portavam todos bem e até alinhou nas brincadeiras e foi lá acima umas vezes tentar ser o rei da festa. Destaco o momento em que o Battaglia perde ali uma bola que podia ser perigosa, mas lá estava o pai Coates para tirar a sandes mista em triângulo da boca do menino da outra equipa que já lá ia todo guloso.

ANDRÉ PINTO

Se o Coates foi o pai, o André Pinto foi o tio. É aquele tio fixe, não facilita e limpa tudo o que é migalha ali ao pé da zona dele, mas é mais relaxado que o pai e às vezes distrai-se porque já bebeu mais minis do que devia, e quando uma mãe mais vistosa vai lá buscar o filho tenta logo arrastar a asa e acaba por facilitar. Também quis participar mais na brincadeira e ia marcando, aí sim, era elevado a tio-herói e com um bocadinho de sorte ainda sacava o número àquela mãe recém-divorciada.

JEFFERSON

Eu pensava que o Jefferson andava estas jornadas todas a pensar constantemente em churrasquinho durante o jogo, porque achava que o Coentrão ainda voltava para lhe tirar o lugar. Tendo o Fábinho ido passear o seu sempre moderno e lustroso cabelo loiro-dos-alpes para Vila do Conde, esperava que o Jefferson pensasse “ó cara, afinal é para jogar mesmo!”. Mas ainda não foi desta. Se calhar o Peseiro tem de trocar definitavamente aquela picanha pelo naco argentino.

ACUÑA

“O dogo argentino é uma raça canina oriunda da Argentina, que foi criada para o combate e para a caça e captura de animais de grande porte, como javalis e pumas.”. É substituir “dogo argentino” por Acuña e “javalis e pumas” por “pessoas equipadas à jogador de futebol que acham que vão passar por ele”, e o homem passa também a ter a sua própria definição da Wikipédia. O Acuña que conhecemos está de volta. Por mim, pode é ficar ali da esquerda da defesa.

BATTAGLIA

Admiro-o muito. Se eu me levantasse da cama, chegasse ao trabalho e o meu chefe dissesse: “bom, hoje vais lá para dentro e de cada vez que tocares na bola vais levar um pontapé, já de força razoável, nalguma parte do corpo, ok?”, eu provavelmente responderia “olhe que a ideia até é gira, mas vou antes para um café ler um livro”. Ainda bem que ele não é um menino como eu. Mas eu até percebo os adversários. Deve ser difícil estar constantemente a vê-lo tirar-lhes a bola e a ainda conseguir arrancar com ela controlada para o contra-ataque. Frustração que só se resolve à base de pancadaria.

RAPHINHA

Gosto cada vez mais do Raphinha. Se isto continua assim, sou menino para voltar a escrever com PH tudo o que é com F. “Senhor árbitro! É phalta!”, “Raphinha, anda pa’ mesa que o jantar é pheijoada!”. Agora já só quero muito que marque um golo para eu festejar com um palavrão à antiga: “Ph*da-se, que golaço, Raphinha!”. Não phez o golo, mas phez um passe phenomenal para o Ristovski na jogada do golo.

BRUNO FERNANDES

Os comentadores avisaram logo o Feirense: cuidado, meninos, que o Bruno Fernandes é capaz de usar a meia distância porque ele é bom nisso! É um aviso muito útil. É um bocado como dizer “cuidado que o Salin é capaz de usar as mãos para agarrar a bola!” ou “cuidado que o Bas Dost é muito bom a cabecear, bem sei que está lesionado mas tenham cuidado com isso na mesma!”. Há pessoas que adoram constatar o óbvio e nós temos de respeitar. Já o Bruno, mesmo em jogos menos inspirados como o de hoje, é efectivamente útil. É capaz de até ter rematado mal hoje, só para irritar os comentadores, mas lá sacou o passe comprido para a defesa do Feirense cujo seguimento nos deu a vitória.

NANI

Sinto que a primeira jornada do campeonato foi a segunda-feira para o Nani. Não lhe apetecia muito trabalhar, tinha vindo de umas boas férias, tranquilo, relaxado, e custa sempre voltar a pegar ao serviço (expressão espectacular do proletariado, diga-se). Mas os dias da semana (jornadas) vão passando e o seu rendimento aumenta exponencialmente. Enverga a braçadeira como se há muitos anos, quando se estreou pela equipa principal do Sporting, já soubesse que um dia ia ser dele, e está mais adulto. Percebeu que às vezes é mais importante ir ajudar os colegas a defender do que estar obcecado em dar aquele mortal que aprendeu nos seus tempos de Chapitô.

MONTERO

Aquela jogada em que faz um passo de salsa com os ombros e deixa o defesa do Feirense aflito da hérnia, para a seguir rematar em arco, com todo o carinho que se mete na bola quando a queremos ao ângulo da baliza, devia ter entrado que o rapaz já merece. E nós também.

JOVANE

Eu nem sei se é legal entrar no jogo com aquela vontade toda. Mesmo que seja legal, acredito que possa ser, não lhe fica bem desatar a correr, a passar, a rematar e a mostrar que quer mais ganhar o jogo do que ter comida para jantar a seguir, sem pedir autorização a ninguém. Enfim, estes adolescentes de hoje em dia tem muito poucas maneiras e acham que podem e aconteceu. Se ele continua a acontecer assim, arrisca-se a ser titular, é o que é.

CASTAIGNOS

Eu pensei que ele fosse entrar só para atrapalhar. E pensei bem, só que ele atrapalhou tanto tudo que conseguiu ajudar no golo.