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Diogo Faro

A única coisa que ataca tão rápido quanto o Raphinha é a amnésia do Luís Filipe Vieira quando tem de prestar declarações (diz Diogo Faro)

Diogo Faro ficou impressionado com a exibição de Raphinha na vitória do Sporting sobre o Marítimo (3-1), para a Taça da Liga: "A única coisa que atualmente ataca tão rápido quanto o Raphinha, só mesmo a amnésia do Luís Filipe Vieira quando tem de prestar declarações sobre (alegadas) trafulhices"

Diogo Faro

Carlos Rodrigues

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SALIN

É aquele tipo de jogo que prova o quão injusto o futebol pode ser para os guarda-redes. O Salin esteve ali 90 e tal minutos na sua área, praticamente o tempo sozinho, sem nada para fazer, sem um amigo para conversar, sem que aparecesse um apanha-bolas com um baralho de Uno para jogarem, nada. Lá pelo meio, faz uma boa defesa e leva um golo sem que tivesse hipótese de fazer alguma coisa. C’est pas juste, Salin.

BRUNO GASPAR

Tu queres ver que este ano temos dois laterais direitos decentes? Verdade seja dita, não teve um grande desafio pela frente no que diz respeito a defender, mas fez tudo o que tinha a fazer. A atacar, entendeu-se tão bem com o Raphinha, que eu não sei se não tenhamos acabado de assistir ao início de uma bela história de amor entre os dois.

COATES

Tenho medo de ser repetitivo ao falar do Coates, crónica após crónica. Mas o homem é a consistência de jogo personificada e não e deixa grande margem de manobra para falar dele. Agora, a verdade é que não tenho que ter medo de me repetir. Ainda teria que o fazer umas 687 para igualar o número de vezes que os comentadores disseram que o Marítimo tinha viajado da Madeira e do Funchal, não fôssemos nós achar que tinha vindo de outra qualquer cidade costeira como Beja ou Castelo-Branco.

ANDRÉ PINTO

É um homem rápido e astuto. Percebe rapidamente o que é os bandidos à frente dele querem, e tem um bom jogo de pernas para os contrariar. Achei injusto aquele amarelo que levou. Se virem na repetição, aquele pretenso choque com o jogador do Marítimo resultou numa lindíssima coreografia em que cada um deles rodopiou sobre si mesmo, em direcções opostas, antes de caírem dramaticamente os dois. Um momento Cirque Du Soleil que merecia um aplauso, não um amarelo.

JEFFERSON

À medida que os jogos vão passando, parece que ele lá vai ganhando vontade. Se calhar veio do Brasil com um jetlag para aí de um mês e só agora é que começa a recuperar. E não foi só a defender ou a atacar, foi também a liderar. Quando o Acuña falhou lá uma movimentação qualquer, ouvi-se perfeitamente o Jefferson a gritar “se você volta a falhar essa marcação, txi obrigo a ouvir 10 horas seguidas de funk do MC Fioti”.

ACUÑA

Se a promessa do Jefferson se cumprir, vão ser umas penosas horas para o Acuña a ouvir grandes sucessos qualidade musical superior como “Bum bum tan tan”. Mas não consigo ter pena dele depois daquela assistência para o golo do Marítimo.

BATTAGLIA

Hoje esteve em modo agente secreto. Discreto e eficaz. Não se exibiu ofensivamente, talvez por ter ao lado o estouvado do Acuña que volta e meia lhe deixa buracos para tapar, mas a defender foi vê-los todos a esbarrar nele como se os abatesse com uma pistola com silenciador debaixo da gabardine.

RAPHINHA

É que gosto cada vez mais deste rapazinho de perna longa e cara esguia. Tem 22 anos, que é também o tempo a que o penteado que usa deixou de estar na moda, mas tem cabeça para pensar no jogo e pézinhos para sentar adversários na linha ou fazer golos – estreou-se hoje pelo Sporting! Junta-se a isto ser rapidíssimo. A única coisa que atualmente ataca tão rápido quanto o Raphinha, só mesmo a amnésia do Luís Filipe Vieira quando tem de prestar declarações sobre (alegadas) trafulhices.

BRUNO FERNANDES

A cada passe longo, a cada finta, a cada recuperação de bola, a cada golo, a cada mandar vir com o mundo tal é a vontade de ganhar, lembro-me que podia este ano já não fazer parte da equipa e quase que me dá vontade de chorar.

A braçadeira está bem entregue ao Nani, mas podemos ficar descansados que o Bruno Fernandes, além de pés mágicos e pulmões infinitos, tem arcaboiço para a carregar.

MONTERO

O Montero, quando saiu do Sporting, saiu jogador de futebol 11. Voltou jogador de futsal. Têm-lhe faltado ali aquela arte que ele tinha agasalhar a bola nas redes, mas a verdade é que tem feito o trabalho do pivôt no futsal. Costas para a baliza, segura a bola, faz tabelinha com os colegas que entram de frente para a baliza, e é só marcar. Uma atitude bonita e altruísta que lhe valeu duas assistências hoje.

JOVANE

Quando és defesa, como é óbvio, já tens que estar sempre bastante seguro nos passes que fazes ali ao pé da tua agora. É uma questão de bom senso. E claro que tens de estar ainda mais seguro, se tiveres à frente um jogador como o Jovane que parece que é completamente obcecado em atacar a baliza dos pobres coitados que a tentam manter longe dele. Claro que ganhou aquela bola à defesa do Marítimo que deu o primeiro golo. Claro que foram precisos dois defesas para o mandar abaixo quando na segunda parte quando entrou pela área deles adentro. Claro que se não o obrigassem a ir embora do estádio ainda lá estava de luzes apagadas a tentar marcar mais golos.

WENDEL

É chato convidarem o miúdo para jogar à bola e, de repente, ele dá por si e está a levar com um pontapé de ódio no peito que nem o Edward Norton no lancil ao outro rapaz no América Proibida. Não me parece descabido que suspendam o rapaz que deu o pontapé por umas 56 épocas. Não fosse o Wendel ser rijo e por esta altura ainda estava os paramédicos a tentar desenterrar a chuteira do outro dos pulmões dele.

GUDELJ

Um armário soviético que tanto mete medo aos outros como passa por eles com aquele toque de ballet clássico do Zidane? Já me ganhou.

DIABY

Entrou bem, aqueles 7 segundos.