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Diogo Faro

Petrovic, o homem que quando está de folga do emprego como boneco insuflável faz uma perninha no futebol (por Diogo Faro)

Sabem aqueles boneco insuflável que se abanam todos ao sabor do vento em stands de carros usados nos EUA? É esse mesmo o emprego de Petrovic. Mas esta noite o sérvio esteve em Alvalade e o momento preferido de Diogo Faro da sua performance foi quando tentou aliviar uma bola e acabou a dar canto para o Marítimo

Diogo Faro

Gualter Fatia/Getty

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SALIN

O francês saiu de casa, equipou-se, aqueceu no relvado, foi para o balneário ouvir a palestra, voltou para o campo com as suas luvas, ficou 90 minutos na baliza a ver o jogo, voltou para o balneário, tomou banho e foi para casa. Não sei se compensa esta trabalheira toda para poupar água em casa.

RISTOVSKI

Teve ali um pormenor bastante importante. Quando o jogo precisava de um ligeiro abanão, achou oportunamente que devia deixar ali um buraco na defesa por onde o extremo do Marítimo recebeu a bola e assistiu o avançado que quase marcava. Claro que ele sabia que nunca seria golo, foi tudo em prol do espectáculo que, por aquela altura (qualquer altura no jogo, na verdade), estava excelente para apreciadores de tédio.

COATES

É o tipo de profissional que se trabalhasse num cadeia de fast-food ou numa imobiliária seria sempre o funcionário do mês. Mesmo em dias de tão pouco trabalho como o de hoje, faz sempre tudo o que tem a fazer, bem feito e com gosto.

ANDRÉ PINTO

Sem grande trabalho também, claro. O que teve para fazer, fez bem. Foi chato ter que levar aquele amarelo, mas quando se é central e queres ser respietado, se levas um daqueles nós à antiga de meter a bola por um lado (ainda por cima foi picadinha…) e ir buscar ao outro, o outro vai ter que levar uma passa para não se entusiasmar.

ACUÑA

Foi pragmático. Quando foi à linha, cruzou. Quando teve que safar aquela que foi a única oportunidade a sério do Marítimo, cortou. Quando teve a bola a jeito, rematou. Quando foi papado na linha, resolveu com o clássico “passa a bola, não passa o homem”.

GUDELJ

Foi hoje o guerreiro do meio-campo. A defender e a atacar, fez tudo o que tinha a fazer sempre com a mesma humildade com que a Cristina Ferreira também faz tudo – sabendo que se algum dia tiver que voltar à feira ainda saberá o lugar das estacas.

PETROVIC

Quando está de folga do emprego que tem enquanto boneco insuflável que se abana todo ao sabor do vento em stands de carros usados nos EUA (vi nos filmes), lá vem dar uma perninha no futebol. O meu momento preferido da sua performance de hoje foi quando quis aliviar uma bola para a frente ali à entrada da nossa área, e deu canto para eles.

RAPHINHA

Aquele fininho é tão rápido, que no lance que deu o penalty mais valia o guarda-redes deles ter ficado só sossegado entre os postes. Era óbvio que nunca lá chegaria primeiro.

BRUNO FERNANDES

A classe do costume, tanto a marcar o penalty como durante todo o resto do jogo. Mas a epítome da sua classe foi quando entregou o prémio de homem do jogo ao Carlos Mané. Atitude de capitão.

MONTERO

Para quê tentar tantas vezes marcar um golo bonito, quando se pode esperar só que um jogador da outra equipa amorteça no peito, mesmo ali na pequena área, para depois encostar lá para dentro? Fácil.

JOVANE

Eu sinceramente nem sei o que vos hei-de dizer sobre aquele passe que depois deu o penalty. Aquele passe a rasgar por entre 4 ou 5 jogadores adversários foi uma obra do Renascimento, foi um pedaço de luz no meio das trevas. Só havia um segundo e uma linha recta por onde aquela bola podia passar por entre todos e chegar ao Raphinha, e foi isso que o Jovane fez. Génio.

MISIC

Entrou de chuteiras, fez um passe ou outro. Nada de relevante.

DIABY

Entrou bem, aqueles 7 segundos. Eu bem queria escrever mais sobre ele, mas a jogar só dois minutos por jogo fica complicado. – Peseiro, é a terceira vez que tenho aqui estas linhas sobre o Diaby. Se algum dia der para mudar, avisa, por favor.

CARLOS MANÉ

Que sejas bem-regressado!