Tribuna Expresso

Perfil

Diogo Faro

Diogo Faro recomenda que haja bom networking na Luz: “Espero que Pinto da Costa e Vieira troquem contactos de fruta e café com leite”

Ora então, esta é a perspetiva de um sportinguista para o clássico de domingo, entre Benfica e FC Porto: “Se é para perder tempo a ver algo que envolve fações rivais e mau guarda-roupa, vejo o Narcos”. Não levem a mal, é apenas humor

Diogo Faro

Gualter Fatia

Partilhar

Antes de mais, a minha honestidade para com os leitores obriga-me a confessar que tive dúvidas quando o Expresso me sugeriu que escrevesse sobre “a grande disputa entre o Benfica e o Porto”. Onde é que eu iria, de repente, arranjar números concretos sobre quantas prostitutas é que cada clube tem pago a árbitros para saber quem vai na frente? Depois lá me esclareceram que não era sobre essa disputa, mas sim sobre a parte do mundo do futebol que às vezes parece que menos interessa, o jogo em si.

E aqui temos outra questão importante. É que eu nunca vejo os jogos nem do Benfica nem do Porto. Sabendo que tanto uns como outros ganham praticamente todos os jogos, a não ser que estejamos a falar do Benfica na Champions, claro, é como estar a ver um filme cujo fim é previsível e nem sequer me agrada. Além disso, se é para perder tempo em frente à televisão a ver algo que envolve fações rivais, corrupção, tráfico de droga e de influência e mau guarda-roupa, vejo o Narcos, que sempre é mais emocionante.

Claro que, mesmo sendo o mais provável que eu não veja o jogo, tenho algumas expectativas quanto ao seu desfecho. Tenho até duas expectativas diferentes. A primeira eu sei que é muito ambiciosa – muitos dirão “utópica”, até – mas se há pessoas que realmente acreditam que apareceu a Nossa Senhora a boiar em cima de uma árvore, deixem-me também acreditar neste cenário: ainda na bancada, Pinto da Costa e Vieira trocam contactos de fruta e café com leite, uma espécie de intercâmbio, para não estarem sempre a oferecer cromos repetidos aos árbitros. Sérgio Conceição e Rui Vitória foram almoçar juntos um cozido à portuguesa, ficaram grandes compinchas mas chegam bêbedos aos estádio.

Por graça, metem respetivamente o Marega e o Pizzi nas suas balizas. A meia hora de jogo o resultado já vai em sete igual. Ambas as claques, furiosas com esta pouca vergonha e desonra para os respetivos clubes, invadem o relvado e começam a fazer um flash mob ao som do YMCA (aqui podia imaginar que em vez da dança andava tudo à pancada, mas não gosto de violência). O árbitro decreta que não há condições para a continuação do jogo e que ambas as equipas perdem. Aproveita para mandar um whatsapp a avisar o hotel que vá ligando o jacuzzi e deixe as prendas irem entrando. Com esta confusão toda, a Liga castiga ambos os clubes e estes são obrigados a jogar com o Marega e o Pizzi nas balizas até ao final do campeonato. Isto era o melhor que podia acontecer neste jogo, para mim.

Como eu sou um gajo que também sabe ser terra-a-terra, tenho a outra expectativa, a realista. Obviamente, o melhor resultado é o empate. Há sempre aquele pessoal que se põe a tentar fazer previsões – há um espantoso número de pessoas que sonha um dia tirar o lugar à Maya – e começa a vociferar teorias de que é melhor perder o Benfica porque depois joga com não sei quem e porque para a semana chove e o Alex Telles é capaz de se constipar e mais todo um rol de disparates. Desligo logo. Estes cálculos e previsões são mais inúteis que pôr o Diaby todos os jogos a 23 segundos do fim, não achas, Peseiro?

Resumindo, um empate para aí a 3 – não vá dar-se o caso de eu estar a ver o jogo, gosto sempre de apreciar um bom jogo de futebol – e também com 3 expulsões para cada lado, de preferência de jogadores fundamentais em cada onze. E não, não desejo lesões a ninguém, que isso é de um um baixo nível que – mesmo apesar de tudo – não devia nunca caber no futebol.

Bom jogo a todos.