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Diogo Faro

Bas Dost, que está para o golo como um diabético está para uma montra de gelados, imaginando-se a nadar lá no meio (por Diogo Faro)

Houve ali uma fração de segundo em que o golo que Bruno Fernandes marcou ao Lusitano Vildemoinhos, para a Taça de Portugal, fez Diogo Faro pensar num nome: "Bergkamp". Isto enquanto Wendel, com o seu ar de tocador de violão num conjunto de baile de forró e com o seu bigode de malandro, ia jingando relvado fora como se estivesse a dançar o Tico Tico no Fubá

Diogo Faro

NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

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RENAN RIBEIRO

Revoltado, triste e frustrado, deu muitos socos no relvado quando sofreu o golo no final da primeira parte. E é verdade que eu não sou especialista em relvados, mas visto daqui acho que este não teve culpa nenhuma no facto de o Renan não ter sido mais rápido a fechar as perninhas.

BRUNO GASPAR

Na primeira parte, pareceu-me que estava a jogar contra a Juventus. Pareceu-me a mim e pareceu-lhe a ele também de certeza, tais foram as aflições com as quais parecia estar a jogar contra o Dybala de Vildemoinhos. Lá atinou.

COATES

Custa-me apontar falhas ao meu tão querido Coates, mas vamos ter de ser fortes. A verdade é que no golo do valente Vildemoinhos preferiu ficar a pensar em questões existenciais como “o Universo é mesmo infinito?” ou “porque é as torradas caem sempre com a manteiga virada para baixo?” do que correr um bocadinho e não deixar o Diogo isolar-se para fazer o golo.

MATHIEU

Teve uma tarde relaxada. Não podia fazer mais no golo, não teve muito mais trabalho o jogo todo. Daí o seu ar durante os noventa minutos de quem preferia muito mais estar à lareira a beber vinho e comer queijo. A vantagem de lá ter estado em vez de ver o jogo na televisão foi não ter que ouvir os comentários do Luís Freitas Lobo.

JEFFERSON

Parecia aquelas máquinas de disparar bolas de ténis para aquele pessoal que está triste por não ter amigos com quem jogar e tem que jogar sozinho. Mas calma, parecia a máquina pelo lado bom. Sempre a cruzar certinho para a área para quem quisesse marcar. Impecável a assistir duas vezes, e se não foi mais foi porque os colegas não quiseram.

GUDELJ

O Gudelj para mim é uma estrada de Borba. Parece robusta ao longe, mas de perto há ali falhas estruturais e volta e meia desaba.

NANI

Capitão Luís Carlos, leão ao peito, classe nos pés e língua na bochecha. Deu o exemplo aos companheiros e encarou o adversário, à partida bastante inferior, com o respeito e o empenho que se lhe pediam. As boas jogadas e assistências saíram com a naturalidade devida.

WENDEL

Com o seu ar de tocador de violão num conjunto de baile de forró e com o seu bigode de malandro, foi jingando pelo campo como se estivesse a dançar o Tico Tico no Fubá e deixando as pernas bambas aos jogadores do Lusitano. Bom jogo.

BRUNO FERNANDES

Por uma fracção de segundo, quando ele faz a recepção da bola num lado, gira sobre si próprio e vai buscar ao outro lado, vislumbrei aquele mítico, épico, inolvidável, golo do Bergkamp. Este golo do Bruno Fernandes, com o contributo do seu amigo Bas, foi poesia no futebol. Já vi o golo umas 15 vezes. Façam o mesmo.

BAS DOST

O Bas Dost tem uma dificuldade enorme em não marcar golos. Parece que não se aguenta, como um diabético à frente de uma montra de gelados se imagina a nadar lá no meio, ele não consegue ver a bola sem a imaginar constantemente a entrar na baliza. Mais dois para o maior.

DIABY

Um joguinho mais discreto, é certo, mas apareceu quando teve que aparecer e foi para casa com mais um golo no bucho.

JOVANE E BRUNO CÉSAR

Foram correr um bocado à chuva que lá por ser sábado não é dia de descanso.

PETROVIC

O meu jogador preferido do Sporting de todos os tempos. É uma pena não serem 11 destes.