Tribuna Expresso

Perfil

Diogo Faro

Quando se espera uma mistura de Roberto Carlos, Neville e Lahm e se leva com Evaldo, Grimi e Had: Diogo Faro lamenta os flops sportinguistas

Ganhem ou percam, todas as equipas têm os seus flops do ano. No Sporting, os nomeados a pior da época segundo Diogo Faro são três: um lateral, um médio e um extremo

Diogo Faro

NurPhoto

Partilhar

O flop é uma expectativa defraudada, é esperar que algo saia bem que acaba por sair mal, é esperar que alguém seja algo de muito positivo, só que depois não só não o é, como ainda consegue ser o oposto. Um flop é dar match no Tinder com uma Carolina Loureiro e depois no “date” aparece-nos à frente uma Maria Vieira. Acho que com esta imagem já vos fica bastante claro.

Ninguém quer ser um flop, não pode querer. Acredito que ninguém lute ostensivamente para ser um flop, seja em que área for. A questão é que, muitas das vezes, as expectativas que vão gerar o flop não são criadas pelo indivíduo em questão, mas por entidades exteriores. Os jogadores chegam de clubes estrangeiros ou das camadas jovens, e os jornais são mais rápidos a pregar-lhes rótulos do que eu fugiria da Maria Vieira se o caso que dei acima me acontecesse. E não só são rápidos, como também ligeiramente exagerados. Há jogadores que ainda estão a apanhar o avião da Argentina para Portugal e os jornais já escrevem que vem aí uma mistura de Messi, com Maradona, com Di Maria e ainda com Evita Péron. Há putos que se estreiam nas equipas principais e ao primeiro remate já estão os jornalistas desportivos todos histéricos a dizer que está aí o novo Ronaldo, com laivos de Figo e Eusébio, e que tudo indica que vai ganhar a Bola de Ouro, um Óscar para Melhor Realizador e o Nobel da Física. Depois nada disso acontece e – exacto – flop.

Se calhar, sou capaz de me ter alongado nesta introdução explicativa de flops. O lado bom, para os visados que se seguem, é que me sobram assim menos caracteres para escrever sobre eles.

Gudelj. É sérvio, é grande, é bruto. No avião para cá vinha a ocupar uma fila inteira, comeu a comida e o tabuleiro, e ainda obrigou o piloto a deixá-lo ser ele a aterrar. Chegava o Pogba dos Balcãs, o Veron da ex-Jugoslávia, a Wall de Westeros. Só que depois não era nada disso. Aliás, a ser uma parede seria de contraplacado, e nunca na História da televisão, ou do cinema, uma parede de contraplado se tornou icónica. Verdade seja dita, só passou a ser titular depois da lesão do Battaglia, certo. Mas perdi a conta aos jogos em que dei por mim a preferir ter lá o Battaglia a jogar só a poder dar passos à caranguejo do que continuar com o Gudelj.

Bruno Gaspar. Neste caso, tenho de admitir parte da culpa, por ter sido eu próprio a criar expectativas. Nem sequer me lembro de ver os títulos das notícias de jornal sobre ele. Mas lembro-me que no primeiro jogo que fez pelo Sporting, eu ter pensado “olha que se calhar ainda está aqui uma mistura entre o Roberto Carlos, o Gary Neville e o Lahm”. O facto de eu estar embriagado à altura pode justificar, em parte, o meu pobre julgamento, mas foi com esta percepção sobre ele que fui para o próximo jogo. E afinal, qual Cinderela depois da meia-noite, e agora com tantos jogos passados, as expectativas que eu devia ter criado deviam ter sido “olha que somos capazes de ter aqui uma mistura de Evaldo com laivos de Grimi e um cheirinho a Marian Had".

E, por último, Diaby. É o Usain Bolt do Mali, é uma chita humana, é um Concord a voar baixinho. Pelas palavras de Sousa Cintra e, também sempre pelas capas dos jornais, começámos a achar que, nos tempos livres, o Diaby ia protagonizar os anúncios sobre a velocidade da fibra óptica, ia fazer entregas da UberEats a correr e chegar mais rápido do que as motas, ou até ser protagonizar uma série de animação onde iria estar constantemente a fugir de um coiote. Quase que era isto tudo. Acabou por ter mais em comum com o Djaló do que com que tudo o resto que nos queriam fazer acreditar. Primeiro, os nomes das filhas também devem ser francesas como as do Djaló, Lyoncée e Lyannii. Depois, a velocidade era interessante, mas não assim tão alta. E por fim, as suas receções de bola também faziam lembrar exercício de Física no 12º ano: “se a bola bater a 70km/hora num tronco de um sobreiro, vai ressaltar a que velocidade?”.

Não gosto de ser ingrato, agradeço o que fizeram pelo Sporting. Mas as expectativas são tramadas e eles foram, de facto, três flops.