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Diogo Faro

Diogo Faro e o regalo que é olhar para o Instagram da malta da bola: banquetes, aerodinâmica, caça ao pato-bravo em Ibiza

Diogo Faro está absolutamente fascinado com a fauna e flora que anda por aí nas contas das redes sociais dos craques. E então decidiu escrever um texto que é um resumo do que poderá encontrar ao espreitar o Instagram dos seus futebolistas preferidos

Diogo Faro

Europa Press Entertainment

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Acaba a época e é um regalo acompanhar o Instagram dos nossos meninos da bola. E aqui não há clubismo ou patriotismo. Nada disso importa quando as chuteiras estão arrumadas, em casa, nas sapateiras de mogno com talha dourada, e os pés são suavemente abraçados por reluzentes chinelos da Dolce & Gabanna. Os fatos de treino, as camisolas e os calções de jogo, também está tudo guardado, mas nas gavetas das cómodas de mármore com puxadores de diamante. É verão, os nossos heróis estão de férias, e o traje agora é, de dia, six-pack e calções de banho fluorescentes e, de noite, camisa branca a brilhar e calças bem arregaçadas com um sapatinho Prada de ir à caça da formiga d’asa.

Quase todos em família. Alguns com amigos. Mas todos com o mesmo estilo aprumado de vestir. E no corpo, não há nenhum deles que tenha um único pelinho no peito, sovacos, braços ou pernas. Nada. Competitivos como todos são, só pode ser para nadarem mais rápido.

Estão felizes em banquetes que envergonhariam o Luís XIV, Rei Sol, em Versalhes, nos quais os pratos são o pináculo do gourmet, todos eles acompanhados de molho de ostentação e salada de vaidade. Nas discotecas, sempre ao som inebriante de reggaeton, abrem cinco e seis garrafas de Moët et Chandon de cada vez, e lá vêm as meninas do bar com as garrafas no ar, apetrechadas com aqueles repuxos de fagulhas douradas, qual fogo de artifício para Lilliputs, e que funcionam como os apitos na caça: anunciam que há ali pato bravo.

Só me preocupa um pouco o desperdício. Tendo em conta que são pessoas que só bebem álcool muito raramente ao longo do ano, e que ao beber uma mimosa ao pequeno-almoço lhes deve dar para estarem bêbados uma semana, para que é que é tanta garrafa? Há crianças a morrer à sede por todo o mundo.

E depois a minha parte preferida, claro: os destinos escolhidos por eles. Os destinos, como quem diz o destino: Ibiza. Que maravilha. Podiam ir para qualquer sítio do mundo, qualquer um. Mas escolhem Ibiza, seja num iate ou num hotel. Não nos vou mentir, isso fascina-me. Podiam ir a Tokyo, Osaka e Kyoto. Visitar o Taj Mahal, ficar no luxuoso hotel de Udaipur, onde foi filmado parte de um James Bond, e curtir as praias de Goa. Podiam fazer safaris na África do Sul ou Namíbia, subir ao Machu Pichu ou atravessar o inacreditável salar do Uyuni. Mesmo que só quisessem praia, podiam ir às Maldivas, Seychelles ou Bahamas.

Mas não, escolhem Ibiza. Fascina-me. É como poder ir jantar com o Anthony Bourdain, mas escolher ir antes com o Jorge Gabriel. É como poder estar no backstage com os Arctic Monkeys, mas preferir conviver com o Pitbull antes do seu concerto. É como ter pés para jogar no Real Madrid, mas optar por envergar a camisola do Alverca. Já vos disse que isto me fascina? Fascina mesmo.

Mas também vos digo, só me importa realmente é que descansem e venham felizes. Mesmo os do Porto e do Benfica, porque férias bem passadas até os adversários merecem.

Bom regresso aos treinos, campeões.