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Diogo Faro

Diogo Faro está angustiado e a culpa é dos golos de Bruno Fernandes

O humorista escreve as primeiras pinceladas da pré-época sportinguista numa prosa com piadas e referências geopolíticas ou relações amorossa

Diogo Faro

Gualter Fatia

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Ao contrário dos jogadores dos outros clubes, cujas férias foram passadas em Ibiza só a jogar PalyStation e a beber champanhe sobrevalorizado, os jogadores do Sporting vieram de viagens enriquecedoras a sítios como a Índia e o Peru, e onde leram Lobo Antunes e Michel Houllebecq, e ainda passaram nalgumas mostras de cinema independente sueco. É por estas e por outras que o Sporting é o clube da elite.

Fizeram os exames médicos e todos passaram com distinção e excelência. Estão todos eles prontos para fazer o juramento de Hipócrates e começar a exercer, mas felizmente para o clube, também todos eles preferiram continuar a ser jogadores.

Os equipamentos foram apresentados, num evento cheio de glamour, classe, dinamismo, juventude e empreendedorismo, onde alguns jogadores do plantel principal desfilaram, assim como atletas de várias outras modalidades, e conhecidos modelos internacionais como eu próprio. Verdade. E senti-me a Sara Sampaio no seu primeiro desfile na Victoria’s Secret: confiante e linda.

Tudo pronto. Arranca a pré-época e a equipa vai para para a Suíça, país do chocolate, dos relógios e do “somos muito neutros na guerra, mas estamos completamente disponíveis para receber o ouro que os Nazis estão a roubar aos judeus”. Aquela neutralidade que convém.

E aqui chegamos aos dois primeiros jogos de treino. O que importa é participar – como quem diz, desentorpecer e voltar a sentir o veludo da relva com a pelúcia da bola – mas há uma coisa que me está a deixar muito angustiado: os golos do Bruno Fernandes.

Sim, está a treinar com o resto da equipa. Sim, foi para estágio. Sim, continua no Sporting. Mas nós sabemos que a qualquer momento ele vai embora, não é? Nós sabemos que está por um fio. Sentimos. Ele é dos melhores jogadores da Europa, ele é cobiçado, é normal que assim seja. E eu tenho-me vindo a habituar à ideia de ficar sem ele desde que levantou a Taça de Portugal, mas ainda assim custa sempre. E depois vemo-lo a marcar logo o primeiro golo da época 19/20 e é um misto intenso de alegria com tristeza. Sinto que é uma namorada a acabar comigo enquanto me beija e diz que o problema não sou eu, é ela. É duro, deixa-me com a esperança que não se vá embora e tenha mais uma linda época envergando a braçadeira de capitão do Sporting.

De resto, perdemos e empatámos, mas são resultados que obviamente me preocupem absolutamente nada nesta fase. Não é preciso fazermos logo um acordo com uma equipa qualquer, que aceite defender tanto a sua baliza como o Trump defende a entrada de imigrantes, só para ganharmos 8-0 e ganharmos moral. Está tudo bem, vamos com calma que isto vai lá. Para já, gostei do golaço do Wendel e das defesas do Maximiano. Venham os próximos jogos.