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Diogo Faro

Diogo Faro não é nenhum Gil Vicente, mas este é o auto da barca do Sporting, uma peça dramática e cómica

Enfiado num avião, Diogo Faro não viu o Gil Vicente-Sporting (3-1) em direto, mas teve a felicidade de o ver mais tarde, e concluir o seguinte: "Foram muitas horas de viagem até cá chegar e o entretenimento a bordo era muito completo, entre filmes, séries e documentários. Mas nada era tão dramático e cómico ao mesmo tempo como é o Sporting"

Diogo Faro

MANUEL FERNANDO ARAÚJO

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Começo esta crónica pedindo-vos desculpa por não vir no normal formato pós-jogo. Ainda por cima, chega já tão atrasada. Tal como o Ilori a qualquer lance.

Estava já no avião de regresso do Myanmar para Portugal quando começou o Gil Vicente – Sporting. Foram muitas horas de viagem até cá chegar e o entretenimento a bordo era muito completo, entre filmes, séries e documentários. Mas nada era tão dramático e cómico ao mesmo tempo como é o Sporting.

Aterro, ligo os dados móveis e vejo que o Sporting levou três do Gil Vicente. Não do dramaturgo, claro, que não ressuscitou para entregar agora três peças ao Sporting. Seria surreal. Quase tanto como ganhar 4-0 ao PSV e no jogo a seguir perder 3-1 em Barcelos.

Entretanto fui ver o resumo. Já tinha visto inúmeras vezes o lance em que o Ilori finta o dia em que o talento para jogar futebol foi distribuído, e agora vi umas tantas o lance em que finta o ar e oferece o primeiro ao Gil Vicente. É comovente, principalmente porque ainda o pôr a titular já parece só ser o projecto de solidariedade social levado a cabo pelo Silas. O futebol também é isto, ajudar quem mais precisa. Por exemplo, o Crystal Palace anunciou que vai voltar a abrir o seu estádio para abrigar pessoas sem-abrigo e dar-lhes comida quente. O Sporting deixa o Ilori jogar, num gesto que me parece um pouco menos meritório, tendo em conta o sofrimento consequente que causa a milhares de adeptos. Se calhar é de repensar estre frágil balanço.

Agora, o rapaz também não estava a jogar sozinho e levar três, só marcando um, não pode ser só culpa dele.

O que é que aconteceu aos outros todos? Uma ideia deixo já aqui: ir buscar o Madjer, que anunciou o fim da carreira no futebol de praia. Ia sugerir que fosse para o lugar do Ilori, mas também não quero estar aqui a massacrar.

Bem, o que mais me alivia é que daqui a poucos dias há já o segundo ato desta peça. Deste drama que é toda a época do Sporting, e desta peça que são os jogos com o Gil Vicente. O Silas que meta a titular o Parvo, o Sapateiro e a Brízida Vaz. Mal por mal, sempre achava mais divertido. É que, noutras alturas, até poderíamos dizer que sendo para a Taça da Liga, era um jogo de somenos para o Sporting. Mas engraçado é que ainda estamos no início de dezembro e já só é a única coisa que o Sporting pode ganhar. Nem me venham com a Liga Europa.

Sem espaço, sem ideias, sem soluções, sem jogadores, sem pontos, sempre Sporting

Silas, que assume ser um treinador criativo, com um gosto particular para testar modelos e estratégias e sistemas diferentes em diferentes jogos, acabou engolido pelo antiquíssimo defender bem para contra-atacar melhor à portuguesa. Ficou 3-1 para o Gil Vicente - e o Sporting ficou a 13 pontos do Benfica no primeiro dia de dezembro. Faltam seis meses para o fim de 2019-20