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Diogo Faro

A estreia de Sporar, por Diogo Faro: afinal onde reside a beleza das coisas, e o que são coisas, e será que existimos ou é tudo fantasia?

O Sporting venceu o Marítimo e Diogo Faro nem sabe bem o que se passa em Alvalade - e no mundo: "É 2020. A extrema-direita cresce por todo o lado. A Cristina Ferreira quer ser Presidente da República. Os cronistas do Observador continuam a negar as alterações climáticas provocadas pela humanidade. O Borja marca um golo e dá a vitória ao Sporting. O que é que se passa com o mundo? Onde é que vamos parar?"

Diogo Faro

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MAXIMIANO

Quase tão surpreendidos como alguns comentadores políticos ficaram com o escândalo Isabel dos Santos, ficámos todos pelo Max não ter levado nenhum golo (mesmo que nem sequer tenha tido culpa alguma nos jogos passados).

LUÍS NETO

Não percebi a escolha do dia, mas foi uma bela homenagem a Paulinho Santos. Embora não com a mesma categoria e beleza do Paulinho, Neto ontem deu uma convicta cotovelada na cara de um adversário. Só levou amarelo. Ainda tem muito a aprender para chegar ao vermelho. Tanto no cartão que leva, como no sangue que deixa.

COATES

Parar no peito e marcar de bicicleta. Por acaso, estava fora-de-jogo. Mas não deixa de ser o melhor gesto técnico que qualquer avançado do Sporting fez este ano.

RISTOVSKI

Grande salvamento em cima da linha de golo. Pode ter sido determinante para garantir que o Sporting agarre definitivamente o 4º lugar e, quem sabe, acabar num incrível e prestigiado 3º.

BORJA

É 2020. A extrema-direita cresce por todo o lado. A Cristina Ferreira quer ser Presidente da República. Os cronistas do Observador continuam a negar as alterações climáticas provocadas pela humanidade. O Borja marca um golo e dá a vitória ao Sporting. O que é que se passa com o mundo? Onde é que vamos parar?

WENDEL

Já lhe deve estar a cheirar a Carnaval, tal era a alegria que levava nos pés. No próximo jogo já entra cheio de purpurinas e plumas a beijar toda a gente enquanto samba.

DOUMBIA

Grande mérito por, desta vez, ter substituído por um colega que não foi expulso passados 15 segundos, o que, parecendo que não, ajuda bastante a equipa.

RAFAEL CAMACHO

É dos poucos que me tem dado alguma alegria de ver jogar. Mas como o Sporting é o Sporting, e o excesso de alegria só nos faz é mal, tiveram que anular o golo ao miúdo para não haver cá ilusões desmedidas (sim, ganhar por 2-0 são atualmente ilusões desmedidas para o Sporting, é a isto que chegámos).

BRUNO FERNANDES

Cada remate daqueles a bater na barra, ou a lá passar a centímetros, é uma namorada a acabar connosco dizendo “não és tu, sou eu” e beijando-nos com carinho os últimos beijos. Eu sei, bem triste.

LUIZ PHELLYPE

Não chores, Luiz. Continuas a ser melhor que o Purovic, o Kmet, o Kutuzov e mais dois ou três. As melhoras.

SPORAR

Gostei de o ver entrar com aquela vontade toda, quase marcou e tudo. Agora, vamos ter calma com aqueles empurrões desnecessários. Nem é por ter feito com que se anulasse o golo do Camacho, foi mais por ter gerado mais uma discussão eterna sobre a intensidade do toque, e se o toque foi ou não suficiente para derrubar, e se derrubar é ou não uma palavra bonita, e afinal onde é que reside a beleza das coisas, e o que são coisas, e será que existimos ou é tudo fantasia, e este parágrafo podia ser infinito como o Universo, mas o que é que é o infinito?

Aquela fração de segundo que faltava

Este Sporting parece ser sempre um bocadinho mais lento e menos intenso que as equipas que lutam pelo título e talvez seja por isso que está a 19 pontos da frente. Frente ao Marítimo, teve bola, atacou, pressionou, mas quase sempre de forma inócua. Até que finalmente conseguiu bater a barreira, fazer tudo no tempo certo, ganhar essa fração de segundo que lhe escapava. E essa única jogada bastou para entrar na 2.ª volta a vencer (1-0)