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Diogo Faro

Esforço, Dedicação e Redução: eis o Sporting (por Diogo Faro)

"Já de há muitos anos para cá que o Sporting tem reduzido na conquista de títulos, por exemplo, para proteger psicologicamente os adeptos", e agora faz o mesmo "nos salários", explica Diogo Faro

Diogo Faro

Gualter Fatia

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Se há clube no mundo inteiro que tem dado o exemplo nas reduções que se impõem é o Sporting. Digo isto nesta altura de pandemia por causa das novas reduções, mas podia dizer noutra altura qualquer porque, e mérito seja dado, há muito que o clube adotou esta política de continuidade da redução estratégica (sinto-me o José Gomes Ferreira, a dizer frases que não querem dizer absolutamente nada, mas é como se estivessem maquilhadas com profundidade). O que quero realmente dizer é que as reduções dos salários dos jogadores e da direção, em prol de um bem maior, não me surpreendem.

Já de há muitos anos para cá que o Sporting tem reduzido na conquista de títulos, por exemplo, para proteger psicologicamente os adeptos. Se não ganhamos durante muitos anos seguidos (e isto dá trabalho, é difícil, não vem do nada), muito dificilmente sofremos nos anos seguintes que continuamos sem ganhar. Diria que nisto o Sporting é epicurista, na verdadeira essência desta filosofia: o prazer da vida não é a conquista de objetivos novos constantemente ou o consumo de bens até ao infinito, o prazer é não sofrer. Somos de facto um clube diferente.

O caso de Alcochete é outro caso flagrante de redução. Por um lado, redução das medidas de segurança da Academia. Por outro, uma enorme redução de noção daquele grupo de adeptos. O que, consequentemente, levou à redução da qualidade do plantel. Não sendo isso difícil, tendo em conta que a vontade de ficar no Sporting de alguns jogadores já era, por si só, bastante reduzida.

Com todo o histórico, não se aparentam como surpresa as tais reduções salariais nesta situação dramática. Ao Sporting podem faltar títulos, mas valores nunca faltam. E assim sendo, reduzindo 40% e 50% respectivamente, pensávamos que daria perfeitamente para pagar aos restantes funcionários do clube o salário completo de abril. E até era bem pensado.

Mas num clube epicurista a redução tem que ser para todos, desde os que ganham 800€ até aos que ganham 80.000€. Ou seja, lay-off para 90% dos funcionários porque estar a tirar 40% de 800€ já era esticado. E não é má vontade, mas é preciso pagar o Rúben Amorim ao Braga. Só que agora afinal também não se pagou porque se pode pagar mais tarde, mesmo que fique mais caro (valoriza porque está a evoluir muito no FM enquanto dura a quarentena).

Ou seja, não há dinheiro para nada. O Jubas já entregou os papéis no centro de emprego, e quando isto voltar vai o Paulinho à baliza e o lema muda-se para: Esforço, Dedicação e Redução. Sem a glória, só por uma questão de coerência no epicurismo.